Três astronautas chineses da missão Shenzhou-20 permanecem temporariamente retidos na estação espacial Tiangong após a cápsula de retorno ser atingida por detritos orbitais. O incidente, confirmado nesta quinta-feira (6 de novembro de 2025) pela Agência Espacial Tripulada da China (CMSA), ocorreu horas antes do desacoplamento da nave, adiando o retorno da tripulação à Terra, com informações Ars Technica.
O impacto, causado por fragmentos de lixo espacial, levou técnicos a suspender o regresso por motivos de segurança. A CMSA informou que ainda avalia a extensão dos danos e as condições da espaçonave antes de autorizar o retorno. Os taikonautas Wang Jie, Chen Zhongrui e Chen Dong estão em órbita desde abril e haviam concluído a troca de comando com a equipe da Shenzhou-21.
Segundo a agência, a cápsula danificada segue acoplada à Tiangong, enquanto especialistas avaliam o impacto e verificam riscos para os seis astronautas atualmente na estação. Caso o veículo não apresente segurança suficiente, a tripulação poderá retornar a bordo da nave Shenzhou-21, conforme protocolo de emergência.
Durante a missão, o comandante Chen Dong estabeleceu um novo recorde nacional, superando 400 dias acumulados no espaço — número que aumentará com o adiamento do retorno. A CMSA mantém em prontidão um foguete Long March-2F e uma nave reserva para eventuais substituições.
O caso reacende o alerta sobre o aumento de detritos orbitais e o risco da chamada “Síndrome de Kessler”, fenômeno em que colisões entre satélites e fragmentos geram novos destroços, comprometendo futuras missões e a segurança das operações espaciais. Agências espaciais e empresas privadas estudam medidas de contenção e remoção do lixo espacial para evitar novos incidentes.

