Ataques a hospitais dificultam combate ao ebola na República Democrática do Congo

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Autoridades de saúde da República Democrática do Congo enfrentam uma nova escalada de dificuldades no combate ao surto de ebola após ataques registrados contra centros de tratamento da doença no leste do país. As ações ocorreram poucos dias depois de a Organização Mundial da Saúde classificar a situação como emergência de saúde pública de interesse internacional.

Em um dos episódios mais graves, moradores invadiram e incendiaram uma unidade destinada ao atendimento de pacientes com suspeita de ebola. Outras estruturas médicas também foram alvo de vandalismo no mesmo período, provocando a fuga de profissionais e pacientes que estavam nos locais.

Segundo organizações humanitárias que atuam na região, o avanço de boatos e informações falsas tem alimentado a desconfiança de parte da população em relação às equipes médicas. Entre os rumores mais disseminados estão alegações de que a doença não existe ou de que entidades internacionais estariam se beneficiando financeiramente da crise sanitária.

Especialistas destacam que a resistência comunitária já foi observada em surtos anteriores. Durante a epidemia de 2019, ataques semelhantes foram registrados após a circulação de informações falsas sobre os tratamentos aplicados nos centros de saúde.

Além da desinformação, práticas culturais ligadas aos funerais também representam um desafio para as autoridades. Em diversas comunidades congolesas, familiares mantêm contato direto com os corpos durante cerimônias tradicionais, o que aumenta significativamente o risco de transmissão do vírus.

Para reduzir esse perigo, protocolos sanitários determinam enterros controlados por equipes especializadas e equipadas com itens de proteção. Em algumas localidades, o número de participantes nas cerimônias também passou a ser limitado para evitar novos contágios.

Como forma de fortalecer a confiança da população, organizações de saúde ampliaram campanhas educativas em rádios comunitárias, igrejas e grupos de mensagens. Líderes locais também foram mobilizados para levar orientações diretamente às comunidades mais afetadas.

As autoridades reforçam que o controle do surto depende não apenas de medidas médicas e vacinação, mas também da colaboração da população. O trabalho agora se concentra em conter a disseminação do vírus e ampliar o diálogo com moradores para evitar novos episódios de violência contra equipes de saúde.

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