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Análise: Atlético MG erra tudo, perde e volta atordoado a BH

Time chega "em construção" para o primeiro desafio internacional do ano e, sem a solidez necessária, vira presa fácil para o Unión

 

O Atlético-MG é um time em construção. Se reforçou bem defensivamente, mas o setor ainda não havia tido nenhum teste de fogo. Está no mercado buscando peças ofensivas (algumas chagaram, outras chegarão), mas tem, hoje, um ataque mais fraco que o de 2019. O Galo chegou a Santa Fe pela metade, incompleto, frágil e longe de um estágio ideal para um duelo internacional de mata-mata. O resultado: virou presa fácil para o Unión, que venceu por 3 a 0 – e podia ter vencido por mais – no jogo de ida da primeira fase da Copa Sul-Americana 2020 (veja os lances no vídeo acima).

O primeiro gol dos argentinos saiu logo aos 3 minutos do primeiro tempo. Walter Bou recebeu um lançamento lateral na área e, aproveitando um vacilo imenso da defesa atleticana, girou em cima de Gabriel e finalizou com força, no canto, sem chances para Michael. Era apenas uma amostra do que estava por vir.

O Galo esteve muito mal – nesse e em vários outros lances – na defesa. Errou passes na saída de bola, perdeu disputas aéreas, levou a pior em lances de velocidade e deixou buracos explorados pelo adversário – assim surgiu o segundo gol. No terceiro, Réver estava no “mano a mano” com o atacante do Unión, mas não conseguiu sequer dificultar a finalização do argentino. Três a zero. Um time atordoado, que encorajava o adversário a tentar cada vez mais, porque, no ataque, pouquíssimo ameaçava.

Defesa insegura, ataque inoperante

Aí vem o principal problema do time em construção. Se a defesa ainda não está sólida e encaixada o suficiente, o ataque está ainda mais longe disso. Até porque faltam peças. O setor foi absolutamente inofensivo em Santa Fe. Marquinhos e Hyoran estiveram apagados. Di Santo recebe poucas bolas em condições de finalizar e, quando recebe, desperdiça.

No banco não havia ninguém com condições de mudar o jogo. Edinho entrou e tentou jogadas individuais, mas sem sucesso. Dylan entrou, mas é quase impossível que um garoto de 18 anos – que fez o segundo jogo pelo Atlético – resolva alguma coisa nessas condições. Por incrível que pareça, quem mais fez diferença do meio para frente depois que entrou foi um lateral: Guilherme Arana. Sofreu um pênalti e, por ironia do destino, o cobrador oficial havia saído para que ele entrasse.

Sem Fábio Santos, Allan bateu – muito mal – e parou no goleiro Moyano. Ficou visivelmente desestabilizado e, minutos depois, brigou com um adversário em campo. Recebeu o cartão amarelo. Logo na sequência, pisou na bola (literalmente) e, para evitar mais um gol argentino, cometeu uma falta. Levou mais um amarelo e foi expulso. Os três minutos de Allan (entre o pênalti perdido e o cartão vermelho) foram um bom símbolo do que foi a noite do Galo: catastrófica.

Seria diferente se Dudamel tivesse Cazares (ou outro meia criativo) em campo? É possível. Seria menos pior se o centroavante que será contratado já tivesse chegado e minimamente entrosado com o time? É provável. A derrota seria menor (ou evitada) se o time da estreia na Sul-Americana já estivesse mais próximo do que aquele visto como ideal para 2020? Tudo indica que sim. Mas o “se” não existe.

O Galo assumiu o risco de chegar pela metade a Santa Fe. E volta a BH atordoado, com o planejamento para a temporada claramente impactado. A Sul-Americana é (ou era) uma das prioridades para 2020. Resta agilizar as “obras” de construção do time até o dia 20 e, em Belo Horizonte, tentar o improvável: reverter o resultado. Essa construção até lá, no entanto, não passa por contratações, já que o Galo só poderia inscrever jogadores na primeira frase até a última sexta-feira. Com a insegurança defensiva e a inoperância ofensiva vistas na Argentina, será impossível.

Fonto: Globo Esporte

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