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Como funciona a Starlink, serviço de internet de Elon Musk usado no submarino desaparecido

Desde domingo (18), um submarino usado para levar turistas até o local onde estão os restos do Titanic desapareceu no Oceano Atlântico. A empresa responsável pela missão usava a Starlink, serviço de internet via satélite de Elon Musk, para manter a comunicação com a superfície.

Quatro dias antes do desaparecimento, a OceanGate, empresa que faz expedições até os destroços do Titanic, disse que “sem torres de celular no meio do oceano, conta com a Starlink para fornecer as comunicações necessárias durante a Expedição Titanic de 2023 deste ano” (veja no tuíte abaixo).

Especialista consultado pelo g1explica que não é comum submarinos usarem internet via satélite para comunicação, pois o sinal não chega até o veículoPor isso, não dá para afirmar ainda que o desaparecimento tem a ver com a Starlink. Saiba mais sobre essa tecnologia a seguir:

O que é a Starlink?

 

A Starlink é um braço da SpaceX, uma companhia de exploração espacial que trabalha para formar uma “constelação” de satélites. E, assim, levar conexão de internet a áreas remotas em todo o planeta com pouca ou nenhuma estruturaAlguns exemplos são:

  • 👩‍🌾 áreas rurais
  • 🏡 pequenos vilarejos
  • 🏜️ desertos
  • 🚢 alto mar
  • ✈️ no céu (em aviões com wi-fi)
  • 🐆 e até a Amazônia

 

A Starlink não cita submarinos, mas diz que a tecnologia funciona em movimento, em veículos como:

  • 🚤 lanchas e barcos
  • 🚢 navios (cruzeiros)
  • 🚙 carros e motorhomes

 

“A internet via satélite funciona com veículos que estão na superfície. No fundo do mar, esse sinal é bastante reduzido. Teoricamente, ele até pode chegar, mas é muito próximo de zero“, explica Ricardo Caranicola, professor de engenharia eletrônica no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).

 

Segundo o especialista, em grandes profundidades, um dos métodos mais utilizados para comunicação é o de ondas sonoras para mensagens simples, e não satélite.

Os satélites da Starlink ficam em órbita terrestre baixa, a uma altitude de 550 quilômetros, o que significa que eles estão próximos da Terra (inclusive, é possível vê-los daqui), tornando o envio de sinal bem mais rápido. Para comparação, os geoestacionários ficam a uma distância de 35 mil km.

Segundo a Starlink, os satélites se movem automaticamente para evitar colisões com lixos espaciais. Também há sensores de navegação para que os equipamentos possam encontrar a melhor localização, altitude e orientação para envio de sinal de internet.

O envio de satélites é feito em missões pela própria SpaceX, que utiliza seu foguete Falcon 9 para isso (veja na imagem abaixo). A empresa tem hoje cerca de 3 mil equipamentos operando e, no futuro, o objetivo é atingir a marca de 42 mil em órbita na Terra.

“Quanto mais satélites, maior a cobertura na área terrestre”, diz Ricardo Caranicola Caleffo, do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT).

E opera no Brasil?

Sim! 👍

A Starlink está alcançando todos os continentes, o que significa que o serviço já funciona em todo o mundo, com algumas exceções, como Cuba, Venezuela, Rússia, China e Irã.

A Starlink agora está ativa em todos os continentes, incluindo a Antártida.
— Elon Musk, em setembro de 2022.

Na América do Sul, a Starlink está ativa no Brasil, Chile, Peru, Colômbia e no Equador. Agora, Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Guiana aguardam aprovação regulatória, segundo a própria empresa.

💰 Quanto custa?

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou a Starlink a operar no Brasil em janeiro de 2022. Com isso, a empresa poderá fornecer o serviço em todo o território nacional até 2027.

Para ter acesso ao serviço, é preciso desembolsar R$ 2 mil pelos equipamentos (kit com antena, roteador e cabos). A mensalidade da internet sai por R$ 230.

Segundo Raul Colcher, membro sênior do Instituto dos Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas (IEEE), a utilização de foguetes para envio dos satélites e a operação em si encarecem o serviço de internet via satélite. “Apesar disso, já existe um movimento de popularização e barateamento”, afirma o especialista ao g1.

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Equipamento da Starlink, empresa de Elon Musk, exposta na Agrishow 2023 em Ribeirão Preto, SP — Foto: Érico Andrade/g1

Mas é rápida?

 

Em seu site, a Starlink afirma que o serviço poderá ter latência de até 25 ms (milissegundos). Latência (ou “delay”) é o tempo mínimo de resposta entre um aparelho e os servidores de internet.

Mas um levantamento da SpeedTest (Ookla) indica que a média no Brasil ficou em 75 ms durante o primeiro trimestre de 2023. Segundo o site especializado em medições de internet, ainda nesse período, apenas o Peru teve a menor latência na América do Sul, com média de 48 ms.

No início de 2022, a Starlink disse que, no futuro, esperava alcançar velocidade de download de 1 Gb/s (gigabit por segundo), mas depois revelou que sua atual meta é alcançar 10 Gb/s, segundo o “CNBC”. Hoje, ela fica entre 100 Mb/s e 200 Mb/s (megabits por segundo).

🔎 Quem são os rivais da Starlink

  • Project Kuiper: projeto desenvolvido pela Amazon e que planeja 83 lançamentos de satélites em 5 anos. O objetivo da empresa, assim como a Starlink, é levar internet rápida para comunidades ao redor do mundo que tenham dificuldade com acesso à comunicação;
  • Viasat: empresa oferta serviço de internet via satélite e é hoje uma das principais rivais da Starlink. Em abril, ela contratou a SpaceX para levar para o espaço o ViaSat-3, um satélite de internet com maior capacidade do mundo. Ele deve operar também no Brasil a partir do segundo semestre de 2023;
  • HughesNet: empresa já opera no Brasil e tem como foco produtores rurais que ainda não têm acesso à internet. Ela também pretende, ainda em 2023, lançar um novo satélite, chamado de Jupiter 3. “O novo satélite vai permitir uma melhora significativa no desempenho dos serviços oferecidos pela Hughes, com velocidade de download de até 100 Mb/s”, diz.

Fonte: G1

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