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Crônica: A mendenga

João Borges Leal – Dorete – era um tipo popular oeirense. Doido manso, andava maltrapilho pela cidade. Imundo, bebia água de sarjeta. Gostava de aguardente. Possuído pelos vapores etílicos, passava a filosofar… Quando sabia que o município claudicava na prestação de serviços públicos por falta de recursos, bradava: — Esta é uma Prefeitura mendenga, neologismo por ele criado. Deriva-se de mendicância, pobreza, enfim.

Há 14 estações, ops, anos, a TV Meio Norte transmite Brasil afora, todos os atos litúrgicos da tradicional, Semana Santa de Oeiras, sob o patrocínio das diversas gestões administrativas.

Neste ano da Graça do Senhor de 2019, o nosso patrimônio imaterial não será divulgado de forma massificada. Desnecessário comentar o prejuízo cultural decorrente deste triste fato. Tal manifestação religiosa é uma das mais identitárias da Capital da Fé.

Ultimamente, a cota do patrocínio da Prefeitura era na monta de R$ 30.000,00. Acontece que, hoje, o Prefeito José Raimundo Sá Lopes, sob o argumento de contenção de despesas, apenas dispôs pagar R$ 25.000,00 para a cobertura da Procissão de Bom Jesus dos Passos, a qual ocorrerá na sexta-feira vindoura, dia 12/04. Isto não atende ao objetivo daquele grupo empresarial que pretende cobrir, também, as demais celebrações eclesiásticas da Semana Santa propriamente dita, como dantes.

Abstraindo-se qualquer conotação legalista, o impasse está configurado… Pelo que se percebe, não será solucionado a contento, a não ser que haja um milagre. Criatividade, boa vontade mesmo!

Lamentações à parte, a assertiva “doreteana” está confirmada: “Esta é uma Prefeitura mendenga!”

 

Por Carlos Rubem

 

 

 

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