A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil que investiga um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a investigação aponta que uma transportadora de cargas de Presidente Venceslau, no interior paulista, seria utilizada como estrutura financeira da facção criminosa. Empresas, contas bancárias e patrimônios de alto valor estariam sendo usados para ocultar a origem dos recursos e movimentar o dinheiro no sistema formal.
As investigações tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha referências a integrantes da facção, ordens internas e possíveis ataques contra agentes públicos.
Em um dos documentos apreendidos, investigadores encontraram menção a uma “mulher da transportadora”, que teria colaborado na obtenção de informações sobre agentes públicos para ações planejadas pela organização criminosa.
A partir das apurações, a Polícia Civil chegou à empresa de transportes. Durante uma operação no local, a análise de um celular apreendido revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula do PCC e indícios de movimentações financeiras relacionadas ao nome de Deolane Bezerra.
De acordo com os investigadores, a influenciadora passou a ser monitorada após a identificação de movimentações milionárias consideradas incompatíveis com o patrimônio declarado, além de relações empresariais e pessoais com pessoas investigadas no esquema.
A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em bens e valores. A operação ainda resultou no sequestro de 17 veículos, incluindo carros de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de quatro imóveis ligados aos investigados.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, três investigados estão fora do Brasil, na Itália, Espanha e Bolívia. Os nomes foram incluídos na lista vermelha da Interpol para localização e eventual prisão internacional.
Esta é a terceira prisão de Deolane Bezerra. Em setembro de 2024, ela foi presa durante a Operação Integration, que investigava lavagem de dinheiro, ocultação de bens e sonegação fiscal ligados a jogos ilegais.
Na ocasião, a influenciadora chegou a obter prisão domiciliar, mas voltou ao presídio após descumprir medidas impostas pela Justiça. Em abril deste ano, Deolane também passou a ser investigada em outro inquérito envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas aos cantores MC Poze do Rodo e MC Ryan SP.
As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras atribuídas ao grupo investigado.



