Estudar, trabalhar e ser mãe: três passos para enlouquecer ou agradecer!?

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Sou estudante de jornalismo e radialista. Estudo à noite, trabalho fora à tarde, sou mãe e esposa em tempo integral. A faculdade fica em uma cidade vizinha e a rádio fica pertinho de casa. Há quem diga que estudar e trabalhar é muito difícil. Concordo! Mas, e quando existe uma terceira pessoa e um terceiro lugar que precisa de seus cuidados? Aí complica. Haja tempo, cabeça e juízo. Há dois anos, estou nessa labuta: estudar, trabalhar e ser dona de casa, mais precisamente mãe.

São três cargos diferentes e que exigem muito de mim. Não posso faltar na faculdade, há uma porcentagem de falta que pesa na carga horária do curso. No trabalho, aí é que não posso mesmo fazer corpo mole, porque é o ganha pão, é de lá que vem o leite do menino. A casa e o filho é que não dispensam mesmo.

Minha profissão, radialista, me completa em muitos sentidos, gosto do que faço, mas nem por isso deixo de me sentir cansada dela em alguns dias. Tem dias que a rádio me testa, é ligação, mensagem, pessoas chegando no estúdio ao mesmo tempo. O estresse é inevitável e faz parte de qualquer profissão, mas é no meio desse estresse que eu encontro muito carinho do público que aposta muito em minha carreira como jornalista, e a partir daí dar um gás a mais na vida de estudante.

Estudar é o momento que tiro para relaxar. Parece doido dizer isso, mas é verdade, me sinto parte do mundo dedicando parte do tempo para algo que venha a me beneficiar mais na frente. É fora de casa, na companhia das amigas que me desligo um pouco dos problemas de casa, minha família é grande e todos caem sobre mim na hora de desabafar.
Sou mãe de um lindo menino, que, sinceramente, se não fosse ele, talvez eu nem estivesse mais aqui, é ele que preenche um grande vazio deixado pela morte de minha mãe. Foi a maternidade e é ela que me sustenta sempre, porque as outras coisas que você se apega, às vezes falham, mas o filho não, todo dia tem uma surpresinha boa para a gente em meio à correria do dia a dia.

E junto com Bernardo, vem meu esposo! O casamento proporciona essa sensação de se sentir protegida, isso é bom. Aí vem com ele a responsabilidade de ter sempre limpo: roupas, casa, louças, comida feita e etc… É muita coisa para uma só pessoa. Eu poderia enlouquecer, e quem disse que não endoido vez ou outra? Tem dias que o estresse domina geral, aí é necessário segurar a bola, porque a vida de acadêmica não é nada fácil, tem que equilibrar a cabeça para pegar algo na sala porque em casa não dá, só se for lá para as tantas da madrugada, esse é o meu horário de estudo. Meu filho dorme e eu começo a botar a cara nos livros. Mas, entre enlouquecer e agradecer, eu prefiro levantar as mãos para o céu e dizer: obrigada Senhor por essa labuta aperriada, mas boa!

Sei que essa jornada tripla não é bem-sucedida sempre, porque há outros imprevistos que aparecem e fazem com que eu deixe a desejar, muitas vezes, no trabalho, nos estudos ou o que é pior, com meu filho. Mas sei também, que toda essa rotina de tempo dividido entre eles é necessária, as oportunidades só chegam no tempo certo e essas três, trabalho, estudos e filho, vieram juntas e não quero separá-las.

E assim eu vou seguindo, vivendo um dia de cada vez e sobrevivendo! O que não posso é deixar de estudar e trabalhar, porque meu filho tem dois anos, preciso ser exemplo para ele. E mais na frente quero poder compartilhar com ele, que na vida nada vem fácil, e que a vida exige jogo de cintura para poder vivê-la de verdade.

Aline Alves ( Blog: Vem Ver o Semiárido)
Estudante do 2º período de Jornalismo da Faculdade R.Sá

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