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Oeiras Piauí: Cultura, presente!

Por Carlos RubemO Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM – há 15 anos promove a Semana de Museus. Este ano, com o tema “Perdas e recomeços”, procura fazer reflexões acerca da museologia nesse momento delicado de pandemia.

No início deste circuito nacional nenhuma instituição da nossa cidade fazia parte deste programa. O velho Joca Oeiras, de saudosa memória, muito bradou para que isto acontecesse. O certo é que esta efeméride não passa mais em brancas nuvens em nosso meio há mais de uma década, talvez.

Escultor e Artistia Plático oeirense – Michelangelo ( Foto Carlos Rubum)

Ontem à noite (24.09.2021), o Coletivo Arte e Cultura de Oeiras – CACO, no âmbito da programação da 15ª Primavera dos Museus, promoveu a Exposição “Gestos e SuperAção” realçando a produção artística de Michelângelo Borges, escultor local, no Sobrado Major Selemérico. A arquiteta Amanda Morais assina a sua curadoria.

Registre-se que na segunda-feira passada, na abertura da programação da 15ª Primavera dos Museus os professores Pedro Dias Júnior, Socorro Barros e Herbert Vinícius participaram de um bate-papo sobre a aludida temática, transmissão ao vivo, pela Rádio FM Educativa Cristo Rei.

Fiquei feliz em ver que a sala reservada à memória do Professor Possidônio Queiroz daquele centro cultural recebeu novo tratamento visual, adoção de objetos que pertenceram ao homenageado. Inclusive, com imagens do ensaio fotográfico da flauta mágica de Possi.

No charmoso claustro daquele prédio histórico passou a funcionar o Café Encanto, organização da Vanda Queiroz e Xico Carbó. Cantores nativos por lá se apresentaram.

Aos poucos vamos saindo da letargia imposta pelos efeitos da Covid-19 e outros notórios motivos.

Oeiras tem muito o que avançar na área de museologia. Potencial não nos falta. Temos muito a construir, mostrar e aprender. Faz-se necessário superar vaidades, o mandonismo. Eliminar o grupismo estéril. E o histerismo de alguns.

Que o verdadeiro interesse público prevaleça. Diálogos hão de existir sem umbiguismo, medindo, subserviência. Unamo-nos, pois!

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Michelângelo Borges – Gestos e SuperAção

Michelângelo Borges nasceu na cidade de Oeiras, Piauí, sob o céu de junho do ano de 1972, em meio a uma família numerosa onde quinze dos dezessete irmãos já o aguardavam. Dona Teresinha de Jesus, sua mãe foi quem escolheu seu nome, inspirada pela história do famoso artista italiano de mesmo nome.
Michelângelo vivenciou uma infância ainda permeada pela sonoridade das águas que corriam entre pedras e matas pelo centro da cidade. Sem dúvida, a infância rica em experiências de sentidos, reverberou em sua vida adulta.

Aos oito anos de idade, o menino Michelângelo sofre uma queda que viria a limitar na idade adulta, seus movimentos. Aprendera do pai, o senhor José Epifânio, o ofício de marceneiro. Porém, aos trinta e seis anos de idade, após uma cirurgia no braço direito, recebe a notícia de que não poderá mais trabalhar no seu ofício.
A partir desse evento nasce um novo homem. Nasce o artista Michelângelo. Mas de onde surge esse artista, oculto no ser humano Michelângelo? Como ele se constroi?

Ao se ver na condição de limitação física, com uma mão e um braço atrofiados, a palavra que soa deste homem é “gratidão!” Naquele momento Michelângelo toma uma decisão: esculpir a igreja da Sagrada Família, localizada em frente a sua residência.

A partir da sua decisão Michelângelo nos revela aquilo que as mãos humanas expressam: o potencial de liberdade de ação que o ser humano carrega em si.

O que se materializa, espiritualizado, a partir da vontade imensa que vive no homem Michelângelo, não é simplesmente o que vemos em seus quadros, enquanto objeto artístico. É preciso silenciar diante de sua obra. É preciso se aproximar de sua história, de sua essência, escutá-lo, olhar através de suas janelas d’alma. É preciso conhecer seus percursos, sua entrega, sua grande Confiança na vida e seus mistérios! É preciso desmaterializar o pensamento, sair de si e ir ao encontro do ser que vive nele, para apreender a grandeza de sua Arte.
A Arte de Michelângelo contém energia viva, gestos que carregam sabedoria, paciência, dor e superação, ausculta, entrega, olhar espiritual – aquele que atravessa a matéria e penetra no mais sutil do que vive ali; contém conhecimento vivo.

O que pode um homem realizar no mundo, a partir da sua verdadeira natureza interior?
Essa é uma pergunta inevitável quando nos colocamos, abertxs, diante da vida e obra de Michelângelo. Como inevitável é que sejamos invadidxs por sentimentos de esperança e confiança no ser humano idealizador, realizador, capaz de ultrapassar toda essa densa atmosfera na qual vivemos nos âmbitos cultural, social, político e econômico. Capaz de nos mostrar quão grandioso é o potencial da Arte para o desenvolvimento de seres humanos criativos, livres, cultivadores de saberes e vivências.

Esse é o convite que essa exposição nos faz: colocarmo-nos diante da obra de Michelângelo com abertura para ver, ouvir e sentir o que ela nos conta! Deixar-se tocar por cada cor, cada tom, cada ranhura, cada (im)perfeição, cada mínimo detalhe que, percorrido todo o ser desse homem, deixa-se pousar na matéria.
Do gesto nasce a vida!

Vanda Queiroz

Galeria (Fotos Carlos Rubem )

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