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Prefeito de Uruçuí é afastado do cargo após investigação de desvio de recursos em contratos para limpeza

O prefeito de Uruçuí, Francisco Wagner Pires Coelho (PP), foi afastado do cargo por determinação da Justiça nessa sexta-feira (24). A decisão é consequência das investigações da Operação Cerrados. O prefeito deve ficar fastado do cargo por 180 dias.

De acordo com a Justiça, o prefeito e seu filho, Elano Martins Coelho, são suspeitos de operar um esquema de desvio de dinheiro público que seria destinado à coleta de lixo da cidade. Elano já foi alvo de uma ação do Ministério Público quando foi impedido de assumir o cargo de procurador-geral do município, em 2021.

Ainda segundo a decisão, assinada pelo desembargador Erivan Lopes, a suspeita é de que o grupo fraudou uma licitação para favorecer uma empresa, a Ambientar Construções e Serviços de Obras, em um processo licitatório no primeiro mandato (2017-2020), e superfaturado valores referentes ao serviço.

Um afastamento dos sigilos bancários do prefeito, do filho e de outros parentes dele revelou diversos saques e depósitos de dinheiro em espécie nas contas deles, feitos por pessoas ligadas à empresa investigada.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apurou que pelo menos R$ 4,5 milhões foram pagos pela Prefeitura de Uruçuí para a empresa. Os investigadores identificaram o desvio de mais de R$ 100 mil em recursos públicos para empresários, familiares e gestores da Prefeitura de Uruçuí.

“Há informação de transações de saque na boca do caixa que chegam ao montante de R$ 2 milhões e 360 mil em um banco e em outra instituição financeira a quantia chegou a R$ 1 milhão e 700 mil, nesse período”, afirmou o promotor de Justiça Cláudio Soeiro.

A suspeita é de que a fraude venha ocorrendo desde 2017 e possa ainda está acontecendo, já que a mesma empresa foi contratada novamente em 2022. O afastamento do prefeito serve para impedir que o crime continue, caso esteja sendo cometido.

A decisão determinou ainda que os policiais façam buscas em três endereços ligados ao prefeito e ao filho nas cidades de Uruçuí e em Balsas, no Maranhão, e também em endereços ligados a outras 9 pessoas, a maioria em Teresina, e em duas empresas localizadas em Uruçuí, Teresina e Nazária.

Operação Cerrados

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Operação Cerrados cumpriu mandados de busca em apreensão em Uruçuí e outras cidades do Piauí e Maranhão — Foto: Divulgação/MP-PI

A Prefeitura de Uruçuí é investigada por suspeita de desvio de recursos cometidos por meio de contratos milionários firmados acima do valor de mercado com uma empresa para a coleta de lixo no município, localizado 453 km ao Sul de Teresina. Endereços ligados ao prefeito Dr. Wagner Coelho, e a outros alvos de investigação, foram vasculhados em buscas de provas, na última segunda-feira (20) durante a Operação Cerrados.

Em nota, o prefeito de Uruçuí confirmou o cumprimento de mandados de busca e apreensão no município. Contudo, o gestor disse não ter tido acesso à decisão e que não recebeu informações sobre a operação.

A operação é do Ministério Público do Piauí (MP-PI), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), em conjunto com a Polícia Civil (PC-PI), a Polícia Militar (PM-PI) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI).

Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao gestor, outros políticos e pessoas ligadas a eles. Servidores públicos, empresas e seus sócios-proprietários também são investigados.

As ordens judiciais, emitidas pela 2ª Câmara Especializada Criminal do Tribunal de Justiça do Piauí, foram cumpridas em Uruçuí e Teresina, além de Timon e Balsas, no Maranhão. As ações no estado vizinho tiveram participação do Ministério Público Estadual maranhense.

“A investigação visa apurar a prática dos crimes de desvios de recursos públicos, organização criminosa, lavagem de dinheiro, fraude à licitação, peculato, corrupção ativa e corrupção passiva, cometidos através de contratos firmados entre empresas de fachada e o Município de Uruçuí”, informou o MP-PI em nota.

Além do prefeito, outros políticos e pessoas ligadas a eles. Servidores públicos, empresas e seus sócios-proprietários também são investigados. O Ministério Público informou que a investigação aponta a existência de “uma associação criminosa visando o desvio de recursos públicos de Uruçuí“.

Esse desvio, segundo o órgão, era realizado com o direcionamento de licitações a uma determinada empresa, utilizada pela organização criminosa, seguido da contratação da mesma, com preço acima do normal, pelo gestor municipal.

“Após o pagamento da empresa, parte do recurso público era remetido, diretamente ou por meio de pessoas interpostas, para as contas bancárias dos empresários, políticos e seus familiares, bem como de empresas ligadas a eles”, afirmou o Ministério Público.

Participaram diretamente da execução da operação Promotores de Justiça do Estado do Piauí, Delegados e Agentes da Polícia Civil, equipes da Polícia Militar, servidores do Ministério Público Estadual e auditores do TCE-PI, além do GAECO do MPMA.

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Equipe do Gaeco durante cumprimento de mandado de busca e apreensão da Operação Cerrados — Foto: Divulgação/MP-PI

Nota do prefeito

O prefeito dr. Wagner Coelho esclarece que até o momento não recebeu nenhuma informação sobre a Operação Cerrados e confirma que houve na manhã desta segunda-feira (20) cumprimento de mandados de busca e apreensão no município, todavia não teve acesso à decisão.

Fonte: G1

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