Reflexos da queda da produção na Capital do caju

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A cidade de Santo Antônio de Lisboa, localizada no centro-sul do Piauí, tem um solo e clima bastante favoráveis ao cultivo do caju, o que contribuiu para que o cultivo do fruto tenha tanto progresso na região, assim conhecida como a Capital do Caju, apresenta considerável concentração de área plantada com esse fruto por metro quadrado.

Assim desde meados dos anos 70 a cidade passou a experimentar um pequeno crescimento em sua economia, em razão do cultivo do Caju. Então a partir de 1980 essa atividade passa a se desenvolver consideravelmente, gerando empregos e renda ao atrair nos últimos anos, indústrias de beneficiamento da castanha do caju e de produção de sucos, doces, cajuínas e muitos outros derivados do Caju, consumidos no próprio município e também exportados para diversas regiões do País, vendida in natura para estados como Paraíba, Ceará, Sergipe, Bahia e Alagoas.

Todavia a cidade, palco de tanta riqueza do fruto e derivados do caju, enfrenta sérios problemas de produção nos últimos anos, com declínio considerável de seu rendimento, tendo como principal causador as condições climáticas da região, nível das chuvas que decai com longos períodos de seca.

Fábrica de Sucos Imbiara

No contexto de desenvolvimento do caju surge a fábrica IMBIARA, que nasce de uma tradição familiar a partir do seu fundador Roberto Gonçalves Guimarães, que aos 18 anos adquiriu sua primeira terra e na década de 60 começou a produzir maracujá, uma novidade no estado do Rio de Janeiro.

A marca IMBIARA foi registrada em 1971 e, a partir de 1990, começou a produzir suas próprias máquinas, procurando o total aproveitamento da produção e a higienização ideal. As cascas dos frutos retornam ao ciclo natural através do reaproveitamento pelo gado da fazenda que produz o adubo natural para a plantação, o que faz com que tudo seja aproveitado e reaproveitado de maneira sustentável e inovador.

Hoje, a IMBIARA produz e compra de vários produtores os frutos que utiliza na fabricação dos variados sucos de alto teor vitamínico, dando emprego e incentivo a produtores, cumprindo assim seu papel social e sendo uma empresa ecologicamente correta.

Sendo pioneiro em Santo Antônio de Lisboa a agregar valor ao produto, motivar os produtores da região no cultivo do fruto. É de suma importância salientar-se que além do que foi mencionada, a empresa contribuiu para um aumento da economia e crescimento da mão-de-obra na cidade, originando um fluxo maior de pessoas nessa atividade.

O gerente da empresa, Elves Batista, falou sobre a importância de uma boa safra do caju para desenvolvimento da empresa, e economia da cidade, destacando que a produção do caju é uma fonte de economia na cidade, gerando empregos diretos e indiretos, segundo ele a produção de caju precisa de um tratamento adequado (poldagem na hora certa) chuva no período chuvoso e sol no período de produção entre junho a outubro).

Quando interrogado sobre a representação da produção do caju em relação a produção total da empresa, foi dito pelo gerente da Imbiara, que o caju representa 60 % da produção, em seguida vem o suco de maracujá, manga e goiaba. “Com a escassez da matéria prima (caju), a empresa tem procurado estocar mais do que necessário, prevendo a falta nos anos posteriores. Entretanto a produção de caju ainda é favorável na nossa região, pois ainda supre de forma necessária para nossa previsão de produção”. Ainda sobre os reflexos da queda da produção para empresa foi dito que houve “ diminuição da matéria prima, com isso o custo maior do produto, diminuição no quadro de funcionário”, destaca.

Declínio da produção

A partir do ano de 2012 a produção do caju entra em declínio no município, ocasionado além da falta de chuvas, pela perda muito grande da área plantada. Tendo sido o ano de 2016 o pior desse período, foi um período de perda de cerca de 55% da área que era cultivada na região, causando um prejuízo imenso a toda população direta ou indiretamente envolvida na produção do caju.

Para o agricultor local, Miguel Antônio, a maior importância do caju é “ a grande ajuda que ele dá para a economia da cidade, a gente vê pelo aumento na renda das pessoas que cultivam o caju, nas empresas que produzem mais e geram mais empregos ao pessoal da região, além do comércio que também movimenta bem mais com o aumento da economia”.

Já a respeito da queda na produção o agricultor destaca que o caju é um fruto que está muito ligado as condições climáticas, e condições do solo. Assim com os últimos anos de estiagem que a região enfrentou e ainda vem enfrentando, a safra do caju acaba por se prejudicar, já que nos períodos que a plantação precisa de chuva em média de novembro a março, a quantidade de chuvas da região deixou a desejar, influindo consideravelmente na diminuição de produção do caju, o agricultor destacou ainda a questão das pragas que também assolam as plantações e prejudicam consideravelmente na safra do caju, já que as pragam impedem que o processo siga saudável, e assim não ocorre a germinação do fruto.

 

Por Leidijane Carvalho (Acadêmica de Jornalismo Faculdade R.Sá).

 

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