A Rússia afirmou nesta segunda-feira que a situação de combustível em Cuba é crítica e responsabilizou os Estados Unidos por “asfixiar” a economia da ilha, em meio ao endurecimento das sanções promovidas pelo governo de Donald Trump. Moscou também declarou que irá agir contra qualquer tentativa de intervenção militar e reiterou solidariedade a Cuba e à Venezuela.
Crise se agrava em Havana e preocupa aliados
Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, as restrições impostas por Washington vêm causando dificuldades severas ao país caribenho. Ele afirmou que a Rússia mantém contatos intensivos com autoridades cubanas por canais diplomáticos e outros meios para buscar soluções ou oferecer assistência.
Na sexta-feira, o governo cubano anunciou um plano emergencial para enfrentar o aprofundamento da crise, com racionamento de combustível e medidas para garantir serviços essenciais. As ações ocorrem enquanto Havana endurece o discurso contra os esforços dos EUA para interromper o fornecimento de petróleo à ilha.
A administração Trump declarou Cuba uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional norte-americana e afirmou que o país deixará de receber petróleo da Venezuela após uma operação dos EUA para capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Washington também ameaçou impor tarifas a outros fornecedores, como o México, caso continuem a enviar combustível a Cuba.
Peskov destacou que as “táticas de asfixia” dos Estados Unidos estão na raiz do problema e disse que Moscou avalia formas de mitigar os impactos. Ele respondeu a questionamentos sobre a escassez de combustível de aviação, que pode afetar turistas russos que desejam deixar a ilha, aliada histórica da Rússia.
Cuba informou companhias aéreas internacionais de que o combustível de aviação deixaria de estar disponível a partir de terça-feira. A Air Canada anunciou a suspensão de voos para o país.
Em mensagem pelo Dia do Trabalhador Diplomático, o chanceler russo Sergei Lavrov afirmou que Moscou prioriza o combate a práticas neocoloniais, incluindo medidas coercitivas unilaterais e intervenções militares, e reafirmou solidariedade aos povos de Cuba e da Venezuela. Já o embaixador russo em Havana, Viktor Coronelli, disse que a Rússia forneceu petróleo à ilha nos últimos anos e seguirá prestando apoio.



