Em até 20 anos, o câncer de colo de útero pode se tornar residual no Brasil, segundo novo plano que foca no rastreamento e vacinação contra o HPV. O câncer de colo de útero é a quarta maior causa de morte no país, com cerca de 17 mil novos casos e 7 mil mortes por ano, conforme dados da Agência Brasil.
O novo Plano Nacional para a Eliminação do Câncer de Colo de Útero prevê a substituição do exame citopatológico pelo teste molecular, que permite identificar a persistência do HPV. O teste já está sendo validado e mostrou uma redução de 46% nos casos e 51% na mortalidade, segundo a OMS. O público-alvo é composto por mulheres e pessoas com útero de 25 a 64 anos.
O plano também inclui a autocoleta, em que a própria paciente coleta o material para análise, facilitando o acesso ao exame. Testes de autocoleta estão em andamento em Pernambuco e São Paulo, e devem ser ampliados para o Norte e Nordeste em 2024.
Além do rastreamento, o tratamento do câncer enfrenta desafios. Cerca de metade das pacientes só começa a tratar a doença após 60 dias do diagnóstico, fora do prazo determinado pela lei. No Norte, 65% das pacientes iniciam o tratamento após dois meses, impactando a mortalidade na região.
A eliminação do câncer de colo de útero depende da vacinação contra o HPV. A meta é vacinar 90% das meninas e meninos de 9 a 14 anos. A vacinação pelo SUS é oferecida também a pessoas imunodeprimidas, vítimas de violência sexual e usuários de Prep até 45 anos. Dados mais recentes mostram cobertura vacinal média de 81,1% entre as meninas e 56,9% entre os meninos.
O PNI adotou recentemente a aplicação de apenas uma dose da vacina, substituindo o esquema anterior de duas doses. Este ano, foram distribuídas mais de 6 milhões de doses aos estados e municípios. A prioridade é aumentar a cobertura vacinal, especialmente entre os meninos.
Informações Agência Brasil







