Divisão interna no PSOL: Deputados trocam ofensas e xingamentos

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Divisão interna no PSOL: Deputados trocam ofensas e xingamentos - foto reprodução
Divisão interna no PSOL: Deputados trocam ofensas e xingamentos - foto reprodução

Uma disputa interna dentro do PSOL tem exposto profundas divisões entre os parlamentares, com trocas de xingamentos como “mentiroso” e “palhaço” no calor das discussões sobre o apoio ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A crise, alimentada por desentendimentos antigos, está dividindo a bancada em duas frentes: uma majoritária, que segue o petista, e outra minoritária, crítica dessa aproximação.

A tensão se intensificou depois de entrevistas anônimas de deputados ao UOL, que revelaram ataques mútuos. A ala majoritária, liderada por Guilherme Boulos (SP), vê o governo como um obstáculo à extrema-direita. Já a ala minoritária, composta por figuras como Glauber Braga (RJ), acusa o grupo de abandonar princípios socialistas e ceder a medidas liberais.

Origem do Conflito

A divisão dentro do PSOL se aprofundou após a entrada de Boulos no partido, em 2018. Atualmente, oito deputados fazem parte da ala majoritária, enquanto cinco deputados criticam a postura “submissa” ao PT. Discussões sobre temas como o arcabouço fiscal de Fernando Haddad e a possibilidade de apoiar políticas de austeridade geraram novos conflitos. Braga, por exemplo, chegou a ser chamado de “birrento” por colegas, que o acusam de perder a paciência em debates.

Reflexos na Imagem do Partido
Esses desentendimentos, antes restritos às convenções internas (como a de 2009, que teve até agressões físicas), agora têm vazado para a mídia. A ala minoritária critica o domínio da liderança da bancada pela ala de Boulos, que ocupa a posição há três anos. Muitos parlamentares também reclamam do silêncio do partido em relação a ações do governo que contradizem bandeiras históricas do PSOL, como a defesa dos direitos sociais.

Impacto Eleitoral
O PSOL sofreu um golpe com a perda das cinco prefeituras conquistadas em 2020, incluindo a de Belém. Atualmente, o partido tem 13 deputados na Câmara e nenhum senador. A derrota nas eleições municipais aumentou o clima de crise interna, com críticas à estratégia de crescimento político “a qualquer custo”.

Troca de Acusações

Boulos, que tem sido criticado por ser “egoísta” e “abandonar ideais”, ainda não se pronunciou sobre as acusações. Seus aliados, por outro lado, argumentam que a ala minoritária tem dificuldades em aceitar derrotas nas votações internas. Por sua vez, Fernanda Melchionna (RS) denunciou pressões para mudar a posição do partido, como o suposto apoio ao teto de gastos — algo que foi negado pela executiva do PSOL.

Apesar da turbulência, a ala majoritária ainda controla as decisões dentro do partido. Especialistas alertam que essa exposição pública de desavenças pode enfraquecer a imagem do PSOL diante do eleitorado.

Fonte: UOL / Política 

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