A seca severa que atinge o semiárido do Piauí já provoca perdas totais na agricultura familiar e coloca em risco o abastecimento de milhares de moradores. Em Fartura do Piauí, a Lagoa da Fartura secou por completo e os reservatórios de Paulistana operam com menos de 20% da capacidade, segundo a prefeitura.
Sem água nas torneiras, famílias sobrevivem com o abastecimento feito por 19 caminhões-pipa que atendem cerca de cinco mil pessoas. Cada carga de água custa, em média, R$ 1.200, valor inacessível para quem vive com um salário mínimo. “Estamos vivendo apenas da água que chega por carro-pipa. Na agricultura, perdemos mandioca, milho e feijão. Não choveu para criar pasto e os criadores vendem animais para que outros não morram de sede”, relatou a secretária municipal de Agricultura, Rosileide Braga.
Em São Raimundo Nonato, a situação também é crítica. A barragem Petrônio Portela, responsável por abastecer 70% da cidade e outros seis municípios, opera com menos de 10% da capacidade. O reservatório, que pode armazenar 180 milhões de metros cúbicos, possui apenas 20 milhões.
Para amenizar a crise, 25 caminhões-pipa do Exército, seis do Governo do Piauí e sete da prefeitura abastecem a população. Mesmo assim, o volume não atende toda a demanda. O prefeito Rogério Castro (MDB) afirmou que a água distribuída apresenta qualidade comprometida. “Nos últimos meses, o líquido tem chegado às torneiras esverdeado, praticamente inutilizável. Também contamos com poços profundos da Serra Branca, mas a água é quente e ferruginosa, de difícil tratamento. Ambos os sistemas não são suficientes”, declarou.
O gestor destacou que o projeto da Adutora da Serra da Capivara é visto como alternativa estrutural para reduzir os impactos da estiagem e garantir segurança hídrica à região.
Fonte: G1 Piauí.







