IA generativa transforma indústria de games e levanta debate sobre empregos e qualidade

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(Imagem: Patrycja Grochowska-Mejer / Shutterstock.com)
(Imagem: Patrycja Grochowska-Mejer / Shutterstock.com)

Modelos de inteligência artificial generativa estão mudando a forma como os jogos são criados, tornando o processo mais rápido, barato e eficiente. A tecnologia já é usada para gerar personagens, roteiros, vozes e ambientes virtuais inteiros, reduzindo custos e acelerando o desenvolvimento. No entanto, especialistas e profissionais da área alertam para riscos à qualidade e ao emprego humano no setor, segundo reportagem do TechXplore.

Um estudo da startup Totally Human Media revelou que cerca de 20% dos games lançados em 2025 na plataforma Steam utilizaram algum recurso de IA generativa. Entre eles estão grandes títulos, como Call of Duty: Black Ops 6 e Inzoi. Ferramentas desse tipo já permitem criar modelos 3D em apenas um minuto, com custo médio de US$ 2 (R$ 11), valor muito inferior aos US$ 1.000 (R$ 5,36 mil) e duas semanas exigidos anteriormente.

De acordo com o consultor Davy Chadwick, a IA deve elevar a produtividade dos estúdios entre 30% e 40%, integrando múltiplas funções e automatizando tarefas repetitivas. Isso permite que artistas se concentrem em aspectos criativos, embora cresçam os receios de substituição de postos de trabalho e perda de identidade artística.

Grandes empresas do setor, como Electronic Arts (EA) e Microsoft, já investem fortemente na tecnologia. A EA firmou parceria com a Stability AI, enquanto a Microsoft desenvolve seu próprio modelo, chamado Muse. Segundo Tommy Thompson, fundador da plataforma AI and Games, o objetivo é reduzir o tempo e o custo de produção. Ainda assim, há resistência entre desenvolvedores. “Há muita desconfiança e medo”, afirmou um funcionário de um estúdio francês.

Para Felix Balmonet, cofundador da startup Chat3D, a IA deve ser vista como aliada, não substituta. “As ferramentas de IA automatizam tarefas repetitivas e aceleram o processo criativo”, explica. Já Piotr Bajraszewski, da 11 bit Studios, alerta para o uso responsável da tecnologia. O caso do jogo The Alters, criticado por incluir textos criados por IA sem aviso aos jogadores, mostrou que o público valoriza a transparência e o trabalho humano.

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