Rochas claras indicam que Marte já teve chuvas intensas e clima úmido, aponta estudo

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Rochas encontradas pelo rover Perseverance em Marte tinham tons claros e composição que intrigou cientistas (Imagem: NASA)
Rochas encontradas pelo rover Perseverance em Marte tinham tons claros e composição que intrigou cientistas (Imagem: NASA)

Fragmentos esbranquiçados analisados pelo rover Perseverance reforçam a hipótese de que Marte já teve longos períodos de chuva e temperatura mais elevada. As pedras, encontradas na cratera Jezero, apresentam alta concentração de alumínio e assinatura típica de caulinita, argila que, na Terra, só se forma após milhões de anos de forte intemperismo em ambientes quentes e úmidos. As informações são da Communications Earth & Environment.

A descoberta reacende o debate sobre o passado climático do planeta vermelho. As rochas marcianas lembram solos fossilizados de regiões como San Diego, nos Estados Unidos, e Hekpoort, na África do Sul, onde a chuva prolongada “lava” minerais e deixa apenas alumínio concentrado. Para pesquisadores da Universidade Purdue, esse padrão indica que Marte já foi muito mais úmido do que é atualmente.

Os fragmentos encontrados pelo Perseverance, que variam de pequenas pedras a grandes blocos, destoam da paisagem avermelhada. A composição química sugere que eles se formaram em um ambiente capaz de sustentar intemperismo profundo por milhares a milhões de anos. Como o clima marciano atual é frio e seco, a formação desse tipo de argila aponta para um período geológico muito antigo.

Os cientistas trabalham com dois cenários: alteração hidrotermal após impactos ou pedogênese, processo de desgaste provocado por chuva intensa. A análise química favorece o segundo modelo, mais compatível com um Marte quente e molhado. Imagens orbitais também sugerem que o material pode ter sido transportado de áreas ricas em caulinita próximas à borda da cratera ou pelo antigo canal Neretva Vallis.

O estudo sugere ainda que parte da água antiga de Marte pode ter ficado presa em minerais hidratados, contribuindo para o desaparecimento gradual da água superficial. Sem placas tectônicas para reciclar esse material, a água não retornaria à atmosfera, favorecendo o processo de secagem do planeta.

Para a ciência, ambientes desse tipo seriam altamente habitáveis. Caso Marte já tenha abrigado vida, esse período úmido representaria condições ideais para sua existência.

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