Europa Clipper registra imagem inédita de cometa interestelar

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Europa Clipper observa cometa interestelar 3I-ATLAS em 2025, detecta gases, poeira e caudas a 4,51 UA durante viagem a Júpiter.
Europa Clipper observa cometa interestelar 3I-ATLAS em 2025, detecta gases, poeira e caudas a 4,51 UA durante viagem a Júpiter.

A sonda Europa Clipper, da NASA, captou imagens raras do cometa interestelar 3I/ATLAS em novembro de 2025, durante sua trajetória rumo a Júpiter. A observação ocorreu a 4,51 unidades astronômicas do Sol e foi possível graças a uma janela orbital incomum, permitindo o registro de caudas, processos de desgaseificação e composição química do objeto. As informações foram divulgadas pelo site da NASA.

Lançada em 2024, a Europa Clipper tem chegada prevista ao sistema joviano em 2030. A missão principal prevê a realização de 49 sobrevoos próximos da lua Europa, com o objetivo de analisar sua superfície gelada e possíveis condições para a vida. Durante o percurso, no entanto, a espaçonave aproveitou uma oportunidade inesperada para estudar o 3I/ATLAS.

O cometa foi descoberto em 1º de julho de 2025 pelo telescópio de levantamento ATLAS, financiado pela NASA, instalado em Rio Hurtado, no Chile. Na ocasião, o objeto apresentava excentricidade orbital de 6,13, característica que confirmou sua origem interestelar. Uma semana após a descoberta, especialistas do Jet Propulsion Laboratory validaram sua trajetória pelo Sistema Solar, abrindo a possibilidade de observação pela Europa Clipper.

Segundo o investigador principal do instrumento ultravioleta da missão, Dr. Kurt Retherford, a oportunidade não estava prevista no planejamento inicial. Ele afirmou que a observação de um alvo adicional durante o trajeto até Júpiter ampliou significativamente o retorno científico da missão.

A geometria orbital favoreceu a análise em um período em que observações a partir da Terra estavam limitadas pela posição do Sol. Com o cometa passando entre a espaçonave e o astro, o instrumento Europa-UVS obteve um ponto de vista raro, alinhado diretamente em direção solar, permitindo observar o núcleo e a coma a partir da região posterior das caudas.

Os dados indicam a presença de oxigênio, hidrogênio e poeira, confirmando intensa atividade de desgaseificação após a maior aproximação do cometa ao Sol. De acordo com os cientistas, foi possível acompanhar a decomposição de moléculas de água e a liberação de gases, revelando processos físico-químicos em curso.

Para a equipe científica, compreender a composição do 3I/ATLAS e o comportamento desses gases pode ajudar a esclarecer a origem e a evolução de objetos interestelares, além de oferecer pistas sobre processos semelhantes aos que atuaram na formação do Sistema Solar.

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