China dispara foguetes em exercícios militares ao redor de Taiwan

Manobras com munição real são as maiores em oito meses e elevam tensão no Pacífico

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Exercícios militares da China para simular cerco a Taiwan reacendem risco de mais uma guerra — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A China realizou nesta terça-feira o disparo de foguetes durante o segundo dia de exercícios militares em torno de Taiwan, nas maiores manobras registradas ao redor da ilha nos últimos oito meses. Os treinamentos, batizados de Missão Justiça 2025, envolvem tropas do Exército, da Marinha e da Força Aérea, com uso de munição real em terra, mar e ar.

De acordo com a Guarda Costeira taiwanesa, militares chineses dispararam ao menos sete foguetes contra zonas de treinamento na manhã desta terça, conforme informações da agência Reuters. As ações ocorreram principalmente em áreas ao norte da ilha.

Exercícios do Exército chinês cercam Taiwan pelo segundo dia

As forças terrestres do Comando do Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular realizaram exercícios de tiro real de longo alcance em águas próximas a Taiwan. O porta-voz militar Li Xi afirmou que as manobras atingiram os objetivos planejados.

Vídeos divulgados pelos militares chineses mostram lançadores de foguetes de longo alcance em posição de combate, disparos de mísseis e caças decolando de diferentes bases aéreas. No mar, navios de guerra também efetuaram disparos de canhões ao redor da ilha.

Em resposta, o governo de Taiwan condenou os exercícios e mobilizou a Guarda Costeira e a Aeronáutica para ações defensivas. Em Taipé, o Ministério da Defesa informou que as Forças Armadas estão se preparando para um cenário de escalada militar.

Impacto no tráfego aéreo e reação internacional

As autoridades taiwanesas reforçaram o controle do tráfego aéreo, o que levou ao cancelamento de 76 voos domésticos para ilhas próximas. Cerca de seis mil passageiros foram afetados.

O presidente taiwanês Lai Ching-te expressou “vigorosa condenação” às manobras chinesas. Apesar do clima de tensão, moradores de Taipé acompanharam os acontecimentos sem sinais aparentes de pânico.

Autoridades alertam que a pressão militar na região representa risco para a comunidade internacional. O estreito que separa Taiwan da China é uma rota estratégica para o comércio global, além de a ilha ser um polo essencial na produção de tecnologia.

Disputa histórica e aumento da tensão no Pacífico

A disputa entre China e Taiwan remonta a 1949, após o fim da Guerra Civil Chinesa. Desde então, Pequim considera Taiwan uma província rebelde, enquanto a ilha mantém governo próprio, sistema democrático e Constituição independente.

Os exercícios militares começaram 11 dias após os Estados Unidos anunciarem o maior pacote de venda de armas para Taiwan, estimado em US$ 11 bilhões, o que elevou ainda mais a tensão entre Pequim, Taipé e Washington. O Ministério das Relações Exteriores da China acusou forças externas de empurrar a região para uma situação perigosa.

Nos últimos meses, o cenário ganhou novo elemento com declarações do Japão, cuja primeira-ministra sugeriu resposta militar em caso de ataque chinês a Taiwan, irritando o governo de Pequim. Nesta terça-feira, os jogos de guerra da China seguem em andamento no Pacífico.

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