O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington deve seguir “administrando” a Venezuela e explorando as reservas de petróleo do país latino-americano por um período indeterminado. A declaração foi dada em entrevista ao The New York Times, publicada nesta quinta-feira, ao comentar a atuação do governo interino venezuelano chefiado por Delcy Rodríguez.
Segundo Trump, o atual arranjo atende aos interesses norte-americanos. “Por enquanto, o governo interino está nos dando tudo o que consideramos necessário”, disse. Questionado sobre quanto tempo a ingerência pode durar, respondeu: “Só o tempo vai dizer”.
Declarações envolvem petróleo e relação com Caracas
Na entrevista, Trump afirmou que pretende usar o petróleo venezuelano como parte de um plano de recuperação econômica. “Vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo, importar petróleo, baixar os preços e dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso”, declarou.
Ao ser questionado sobre a opção por apoiar Delcy Rodríguez, ligada ao governo de Nicolás Maduro, em vez de incentivar a oposição a assumir o poder, o presidente dos EUA preferiu não responder.
EUA anunciam saída de dezenas de organismos internacionais
As declarações sobre a Venezuela ocorrem no mesmo contexto em que a Casa Branca anunciou a retirada dos Estados Unidos de dezenas de organizações internacionais. Segundo comunicado oficial, Washington deixou 35 entidades que não integram a ONU e 31 organismos vinculados às Nações Unidas, sob a justificativa de que “operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA”.
Entre os órgãos citados estão a ONU Mulheres, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.
O governo Trump já havia suspendido anteriormente o apoio a organismos como a Organização Mundial da Saúde, o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a UNESCO. A Casa Branca afirma que adotará uma postura seletiva quanto ao financiamento e à participação em iniciativas multilaterais.
Mudança na política externa dos EUA
Analistas avaliam que a postura representa uma guinada na política externa americana. Para Daniel Forti, do International Crisis Group, a abordagem sinaliza uma cooperação internacional condicionada aos termos de Washington, forçando reestruturações internas na ONU e o encerramento de projetos ligados a ajuda externa, inclusive os financiados pela USAID, cuja atuação foi drasticamente reduzida.
Trump já havia adotado estratégia semelhante em seu primeiro mandato, quando retirou os EUA de fóruns multilaterais e anunciou a saída da OMS durante a pandemia de Covid-19.







