Chanceler do Irã diz que protestos ficaram mais sangrentos após ameaça de Trump

Teerã afirma ter controle da situação e diz estar pronta para guerra ou diálogo

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Manifestantes incendeiam carros e edifícios nas ruas de Teerã, no Irã, em manifestações contra o governo de Ali Khamenei em janeiro de 2026. — Foto: Redes sociais via Reuters
Manifestantes incendeiam carros e edifícios nas ruas de Teerã, no Irã, em manifestações contra o governo de Ali Khamenei em janeiro de 2026. — Foto: Redes sociais via Reuters

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta segunda-feira (12) que a situação no país está “sob controle total” após o aumento da violência durante os protestos registrados no fim de semana. Segundo ele, as manifestações se tornaram mais sangrentas após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou intervir caso o regime iraniano matasse manifestantes.

De acordo com Araqchi, o alerta feito por Trump teria incentivado a atuação de “terroristas”, que passaram a atacar tanto manifestantes quanto forças de segurança, com o objetivo de justificar uma possível intervenção estrangeira. “Estamos prontos para a guerra, mas também para o diálogo”, declarou o chanceler iraniano.

O ministro confirmou ainda que o serviço de internet, interrompido durante os protestos, será retomado gradualmente em coordenação com as autoridades de segurança do país.

Tensão aumentou após declarações dos EUA

Na sexta-feira (9), Trump afirmou na Casa Branca que os Estados Unidos poderiam agir caso o Irã passasse a matar manifestantes. “Vamos atingi-los com muita força onde mais dói”, disse o presidente, acrescentando que seu governo acompanha de perto a situação em Teerã.

No sábado (10), o presidente norte-americano voltou a ameaçar intervenção, afirmando que o Irã estaria “buscando a liberdade” e que os EUA estariam “prontos para ajudar”. Declarações semelhantes já haviam sido feitas no início de janeiro, em publicações na rede Truth Social.

Negociações e impasse nuclear

No domingo (11), Trump declarou que o Irã teria feito contato com os Estados Unidos para negociar um novo acordo nuclear, após as ameaças de intervenção. Segundo o presidente, seu governo estaria tentando agendar uma reunião com representantes iranianos, embora tenha ressaltado que uma ação militar ainda não estaria descartada.

Araqchi, porém, não comentou sobre a possibilidade de retomada das negociações nucleares. Em 2017, Trump rompeu o acordo firmado entre EUA e Irã que limitava o uso do programa nuclear iraniano em troca do fim de sanções econômicas. Desde então, Teerã voltou a enriquecer urânio acima dos níveis necessários para geração de energia, embora não haja comprovação de desenvolvimento de armas nucleares.

Mortes, prisões e acusações

Organizações de direitos humanos apontam crescimento no número de mortos e presos. O grupo HRANA informou às agências Reuters e Associated Press que pelo menos 538 pessoas morreram, entre elas manifestantes e policiais, além de mais de 10 mil prisões. O governo iraniano não divulga números oficiais e acusa os EUA e Israel de se infiltrarem nos protestos.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu que a população se afaste do que chamou de “terroristas e badernistas”, ao mesmo tempo em que afirmou estar disposto a ouvir reivindicações populares. O governo também ameaçou retaliar contra Israel e bases militares dos EUA no Oriente Médio caso o país seja alvo de ataques norte-americanos.

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