Presidente do Irã confirma negociações com os EUA e cobra diálogo justo

Teerã admite conversas, desde que sem ameaças e exigências consideradas excessivas

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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian
Foto: IRIB/via Reuters TV/Divulgação via REUTERS

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, confirmou nesta terça-feira (3) que o país está disposto a manter negociações com os Estados Unidos, desde que as conversas ocorram de forma “equitativa e justa” e sem ameaças ou expectativas consideradas irrazoáveis por Teerã.

Segundo o líder iraniano, a decisão leva em conta pedidos de países aliados da região para que o governo responda à proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retomar o diálogo. Pezeshkian afirmou que orientou o Ministério das Relações Exteriores a preparar o terreno para as tratativas, condicionando o avanço das negociações a um ambiente diplomático sem pressões.

Declaração ocorre em meio a discussões sobre programa nuclear

As declarações acontecem um dia após o jornal The New York Times informar que o Irã estaria disposto a encerrar ou suspender o programa nuclear como forma de reduzir as tensões com os Estados Unidos. Washington pressiona Teerã a limitar ou abandonar o projeto, alegando risco de desenvolvimento de armas nucleares — acusação que o governo iraniano nega, sustentando que o programa tem fins pacíficos e energéticos.

Autoridades dos dois países devem se reunir na sexta-feira (6), na Turquia, para discutir o tema. O encontro deve contar com a presença de Steve Witkoff, enviado especial de Trump para o Oriente Médio, e de Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã.

De acordo com o New York Times, o Irã deve defender a criação de um consórcio regional para produção de energia nuclear no Oriente Médio. Outra alternativa em análise seria a suspensão temporária do programa atual para aliviar as tensões diplomáticas.

Histórico de acordos e aumento das tensões

A reportagem também aponta que autoridades iranianas se reuniram recentemente com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para avaliar a possibilidade de envio de urânio enriquecido ao país, medida semelhante à adotada em 2015 durante um acordo internacional que limitou o programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções.

Em 2018, porém, os Estados Unidos se retiraram do acordo sob a justificativa de que o Irã continuava enriquecendo urânio, decisão que resultou na retomada de sanções econômicas.

As tensões voltaram a crescer na última semana após novas declarações de Trump, que ameaçou autorizar uma ação militar caso não haja acordo. O governo iraniano afirmou estar aberto ao diálogo, mas reforçou que reagirá com firmeza a qualquer ataque.

Outras notícias sobre política internacional e relações diplomáticas podem ser conferidas no Portal Integração.

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