Estudante com deficiência aprovada na Uespi escreve com a boca

Jovem de Teresina supera falta de acessibilidade e conquista vaga em Jornalismo

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Estudante que escreve com a boca é aprovada em universidade pública no PI: ‘minha mãe sempre lutou por mim’
Foto: Arquivo Pessoal

A estudante Nayara Beatriz da Conceição Santos, de 18 anos, moradora da Zona Sul de Teresina, foi aprovada no curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Piauí (Uespi). Diagnosticada com artrogripose múltipla congênita, condição que limita os movimentos dos braços e das pernas, a jovem escreve com a boca e utiliza cadeira de rodas para se locomover.

A aprovação representa o desfecho de uma trajetória marcada por obstáculos no acesso à educação. Nayara sempre estudou na rede pública e relata ter enfrentado, ao longo dos anos, falta de vagas, ausência de profissional de apoio e dificuldades no transporte escolar.

“Nunca foi algo fácil. Passei por constantes lutas para conseguir estudar por ser uma pessoa com deficiência. Às vezes a vaga era negada, além das dificuldades para conseguir profissional de apoio. Minha mãe sempre lutou e colocou muitas escolas na Justiça para garantir meus direitos”, afirmou a estudante.

Trajetória de superação marca acesso ao ensino superior no Piauí

Inicialmente, Nayara planejava cursar Direito, com o objetivo de se tornar juíza federal. A mudança de escolha ocorreu durante o processo do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), após experiências em entrevistas de projetos educacionais e olimpíadas estudantis.

“Pensava em cursar Direito pelo sonho de ser juíza federal. No Sisu coloquei Jornalismo como segunda opção porque é uma área com a qual me identifico”, explicou.

A mãe da estudante acompanhou de perto toda a trajetória escolar e celebrou a conquista como resultado de anos de luta por direitos básicos, acesso à educação e inclusão. Para Nayara, a aprovação tem um significado que vai além da vaga na universidade.

“Ela ficou muito emocionada por sempre estar comigo em todos os momentos e me apoiar em cada escolha. Sempre me incentivou a estudar. Essa aprovação foi graças a ela”, relatou.

A história da estudante reforça o debate sobre acessibilidade e políticas de inclusão no sistema educacional, especialmente para pessoas com deficiência na rede pública de ensino.

Outras histórias de superação e temas ligados à educação no Piauí podem ser conferidos no Portal Integração.

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