A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu temporariamente, na manhã desta terça-feira, um policial militar suspeito de envolvimento no desaparecimento de uma família em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O investigado é Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana Germann de Aguiar, e soldado da Brigada Militar.
Silvana, de 48 anos, e os pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos desde janeiro. A principal linha de investigação considera a possibilidade de homicídio, segundo a polícia.
Prisão temporária e apuração no RS
O delegado Anderson Spier informou que a prisão tem o objetivo de averiguar informações que ainda carecem de confirmação, com base em elementos colhidos na investigação. As diligências seguem sob sigilo para não comprometer os próximos passos.
Em nota, a Brigada Militar comunicou que o policial será afastado do serviço, enquanto o caso é acompanhado pela Corregedoria-Geral da corporação. A reportagem busca contato com a defesa do suspeito.
O delegado Ernesto Prestes afirmou que a polícia investiga um crime, mas não divulga detalhes sobre a dinâmica ou motivação neste momento. Na segunda-feira, o caso foi discutido em reunião com autoridades, incluindo delegados e a subchefe da Polícia Civil no RS, Patrícia Tolotti. Na ocasião, foi confirmado que um cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim.
Perícias, celular e imagens analisadas
A polícia aguarda laudos periciais de residências, veículos e imagens de câmeras de segurança. Um celular encontrado nas imediações da casa dos idosos também passa por perícia. Mais pessoas devem ser ouvidas ao longo da semana.
Até o momento, não há informações conclusivas sobre o paradeiro da família. A hipótese de sequestro foi descartada, pois não houve pedido de resgate.
Entenda o caso
Silvana foi vista pela última vez em 24 de janeiro. No mesmo dia, uma postagem em suas redes sociais afirmava que ela teria sofrido um acidente em Gramado, o que não se confirmou e, segundo a polícia, teria servido para despistar o desaparecimento. O celular dela está desligado desde então.
Alertados por vizinhos, os pais saíram para procurá-la no dia seguinte, chegaram a tentar registrar o sumiço, mas a delegacia estava fechada. Depois disso, eles também não foram mais vistos. O carro de Silvana foi encontrado na garagem de casa, com a chave no interior da residência, reforçando a tese de que ela não viajou.
Câmeras registraram movimentações atípicas na noite do desaparecimento: um carro vermelho entrou na residência às 20h34 e saiu oito minutos depois; às 21h28, o veículo de Silvana entrou na garagem; e, às 23h30, outro carro permaneceu por 12 minutos e saiu. A polícia investiga se os veículos são os mesmos e quem os conduzia.
Silvana é filha única do casal, mora nas proximidades, trabalha com cosméticos e tem um filho de 9 anos, que estava com o pai no fim de semana do desaparecimento. Os pais são descritos por vizinhos como tranquilos e queridos.







