Casos de mpox aumentam no Brasil após Carnaval, diz Ministério da Saúde

Especialistas afirmam que crescimento de notificações não indica risco de pandemia

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Casos de mpox voltaram a crescer no Brasil após o período do Carnaval, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
Foto: Reprodução/Journal of Infection

O Brasil registrou 140 casos confirmados de mpox em 2026, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério da Saúde. Além disso, o país contabiliza 9 casos prováveis e 539 suspeitos da doença. O aumento das notificações ocorreu nas semanas seguintes ao Carnaval, período marcado por grandes aglomerações em diversas cidades do país.

Entre os 149 casos confirmados e prováveis, a maior concentração foi registrada em São Paulo, com 93 ocorrências. O Rio de Janeiro aparece em seguida, com 18 registros. Minas Gerais e Rondônia contabilizam 11 casos cada. Até o momento, não há mortes confirmadas pela doença em 2026. No ano passado, o país registrou 1.079 casos e dois óbitos.

Notificações cresceram após o Carnaval no Brasil

Dados epidemiológicos do Ministério da Saúde apontam aumento nas semanas seguintes às festividades. Em 2026, o Carnaval ocorreu entre os dias 14 e 17 de fevereiro. Na semana epidemiológica 7, período que coincide com a festa, foram registrados 15 casos. Já na semana epidemiológica 9, entre 1º e 7 de março, o número subiu para 27 casos, representando crescimento de cerca de 80%.

O virologista Paulo Eduardo Brandão, professor da Universidade de São Paulo (USP), explica que o aumento pode estar relacionado ao período de incubação do vírus e ao maior contato entre pessoas durante eventos com grande concentração de público.

Segundo ele, a mpox pode apresentar sintomas até 21 dias após a infecção, o que coincide com o intervalo observado entre o Carnaval e o crescimento das notificações. Apesar disso, o especialista afirma que o cenário atual não indica risco de pandemia.

O que é a mpox e como ocorre a transmissão

A mpox é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae. Trata-se de uma doença zoonótica, que pode ser transmitida de animais para humanos, principalmente por roedores silvestres infectados. Atualmente, porém, a principal forma de contágio ocorre entre pessoas.

De acordo com o Ministério da Saúde, a transmissão acontece principalmente por contato direto com lesões na pele, fluidos corporais ou secreções respiratórias em situações de proximidade prolongada. O vírus também pode ser transmitido por objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis.

Sintomas e tratamento da doença

Os sintomas costumam surgir entre três e 16 dias após o contato com o vírus, podendo chegar a até 21 dias. As lesões na pele geralmente aparecem poucos dias depois da febre, embora possam surgir antes em alguns casos.

Entre os principais sintomas estão:

  • erupções ou lesões na pele

  • febre

  • ínguas (linfonodos inchados)

  • dor de cabeça

  • dores no corpo

  • calafrios

  • fraqueza

A transmissão pode ocorrer desde o início dos sintomas até a completa cicatrização das lesões. Atualmente, não existe um medicamento específico amplamente disponível para tratar a mpox. O atendimento médico é voltado para o controle dos sintomas, e a maioria dos casos evolui de forma leve a moderada, com duração média de duas a quatro semanas.

A vacinação no Brasil é direcionada a grupos com maior risco de desenvolver formas graves da doença, como pessoas vivendo com HIV com imunossupressão, profissionais de laboratório que lidam com Orthopoxvírus e pessoas que tiveram contato de risco com casos confirmados.

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