SP: áudio de policial morta expõe medo e reforça suspeita de feminicídio

Gravação entregue à investigação indica que policial queria sair de casa antes de morrer; Justiça apura possível feminicídio em São Paulo.

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Áudio pode mudar investigação sobre morte de PM em São Paulo.
Foto: Reprodução

Um áudio entregue à investigação revela que a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, queria sair de casa dias antes de ser encontrada morta em São Paulo. A gravação foi apresentada nesta segunda-feira (16) pela defesa da família e passou a integrar o inquérito.

Na mensagem enviada ao pai, a policial relata dificuldades na rotina e demonstra intenção de se aproximar da família. Em um dos trechos, afirma que sair cedo para o trabalho dificultava a logística com a filha e que preferia ficar em um local mais próximo.

Segundo o advogado da família, o conteúdo indica que Gisele não estava bem na situação em que vivia e pretendia se afastar do marido. A defesa também afirma que há registros de pedidos de ajuda feitos por ela ao pai.

O que se sabe até agora

O áudio foi incluído no inquérito para contextualizar o estado emocional da policial antes da morte. Para a família, o material reforça a hipótese de violência doméstica e a possibilidade de feminicídio.

A soldado foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio.

No entanto, inconsistências apontadas pela perícia e novos elementos levaram a Justiça a determinar que a investigação passe a considerar a hipótese de feminicídio.

Laudos e investigação

Exames periciais indicaram que a policial morreu após um disparo de arma de fogo na cabeça. Também foram identificadas lesões no rosto e no pescoço, descritas como marcas compatíveis com pressão de dedos e arranhões.

Outro ponto em análise é o intervalo entre o disparo ouvido por testemunhas e o acionamento do socorro. Relatos indicam que o tiro foi ouvido por volta das 7h28, enquanto o chamado às autoridades ocorreu cerca de 30 minutos depois.

A Polícia Civil de São Paulo aguarda novos laudos, incluindo resultados de exumação e de reconstituição do caso, para avançar na apuração. A depender das conclusões, pode haver pedido de prisão do tenente-coronel.

Familiares também relataram que o relacionamento do casal era conturbado. As investigações seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte dentro do apartamento.

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