A estudante Ana Clara Oliveira, vítima de uma tentativa de feminicídio em Quixeramobim, no sertão do Ceará, iniciou o processo de fisioterapia e terapia ocupacional após passar por uma cirurgia de alta complexidade que reimplantou suas duas mãos. O ataque aconteceu na madrugada do dia 1º e teve como acusados o então namorado da jovem, Ronivaldo Rocha dos Santos, e o irmão dele, Evangelista Rocha dos Santos, que agora respondem judicialmente pelo crime.
Segundo a investigação da Polícia Civil, Evangelista teria executado os golpes de foice contra a estudante, enquanto Ronivaldo teria planejado e incentivado a ação. O delegado Júlio César Grelli Lobo afirmou que ambos são considerados coautores da tentativa de feminicídio. Evangelista foi preso poucas horas após o crime, enquanto Ronivaldo foi localizado em outra cidade, a mais de 60 quilômetros de Quixeramobim.
De acordo com o relato da vítima, o relacionamento de quase dois anos era marcado por episódios de ciúmes e agressividade. Na noite do crime, uma discussão terminou com Ana Clara quebrando o para-brisa do carro do namorado com uma pedra. Após deixar o local, Ronivaldo voltou acompanhado do irmão armado com uma foice. Câmeras de segurança registraram o momento em que os dois chegaram à residência.
Ana Clara sofreu ferimentos graves nos braços, costas, pernas, rosto e pescoço. Uma das mãos foi amputada e a outra ficou quase totalmente destruída pelos golpes. Mesmo ferida, ela conseguiu pedir ajuda aos vizinhos após a fuga dos suspeitos.
O atendimento inicial foi realizado por uma equipe do Samu, que destacou a gravidade da ocorrência. O correto acondicionamento da mão amputada em saco plástico com gelo foi decisivo para o sucesso do procedimento realizado posteriormente em Fortaleza.
A estudante foi transferida para um hospital público da capital cearense, onde passou por uma cirurgia de 12 horas que mobilizou 15 profissionais, entre eles especialistas em cirurgia da mão e microcirurgia. O procedimento utilizou microscópios cirúrgicos para reconstrução de ossos, tendões, artérias, nervos e pele dos membros atingidos.
Na última sexta-feira (15), Ana Clara realizou os primeiros movimentos voluntários com os dedos durante as sessões de reabilitação. Emocionada, a jovem afirmou sentir gratidão pela recuperação e esperança de voltar a utilizar as mãos em atividades do dia a dia.
A equipe médica informou que o tratamento será longo, mas mantém expectativa positiva sobre a recuperação motora da paciente. Além da reabilitação física, Ana Clara afirmou que pretende transformar a própria história em alerta para outras mulheres vítimas de violência doméstica, incentivando denúncias e busca por apoio psicológico e especializado.







