A análise de amostras do asteroide Ryugu revelou a presença dos cinco componentes químicos fundamentais que formam o DNA e o RNA, estruturas responsáveis por carregar o código genético de todos os seres vivos. O resultado foi publicado na revista científica Nature Astronomy.
O material foi coletado pela missão japonesa Hayabusa2, da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA), e trazido à Terra em dezembro de 2020. Nas amostras, os pesquisadores identificaram adenina, guanina, citosina, timina e uracila.
Essas moléculas, chamadas nucleobases, são essenciais para a formação do material genético. No DNA, adenina se liga à timina, enquanto guanina se liga à citosina. No RNA, a uracila ocupa o lugar da timina em uma das combinações do código genético.
A descoberta reforça a hipótese de que alguns dos blocos de construção da vida podem ter chegado à Terra por meio de asteroides no início da história do Sistema Solar. Para os cientistas, a presença dessas moléculas em material extraterrestre ajuda a entender como compostos fundamentais podem ter surgido sem a participação de organismos vivos.
Ryugu é considerado um arquivo natural da química primordial. O asteroide se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos, praticamente no mesmo período do nascimento dos planetas, e preserva material químico antigo do Sistema Solar.
O que se sabe até agora
A missão Hayabusa2 foi lançada em 2014 e chegou ao asteroide em 2018. Durante a operação, a nave disparou um projétil contra a superfície de Ryugu para coletar fragmentos subterrâneos, considerados menos expostos à radiação e à contaminação espacial.
As amostras retornaram à Terra dentro de uma cápsula e passaram a ser analisadas em laboratórios com controle rigoroso para evitar contaminação. O estudo se baseia justamente nesse material preservado.
Os pesquisadores também compararam as amostras de Ryugu com materiais do asteroide Bennu e com meteoritos encontrados na Terra. As análises mostraram diferenças nas quantidades relativas das nucleobases entre esses corpos celestes.
Segundo o pesquisador Toshiki Koga, da Japan Agency for Marine-Earth Science and Technology, a presença de amônia nas rochas espaciais pode ajudar a explicar parte dessas diferenças químicas. Para ele, essa relação sugere um papel importante da amônia na composição das nucleobases.
Os cientistas afirmam ainda que nenhum mecanismo de formação conhecido prevê totalmente essa correlação. Isso pode indicar que caminhos químicos ainda não reconhecidos contribuíram para a formação dessas moléculas no início do Sistema Solar.
A descoberta também indica que os componentes básicos do material genético podem ser mais comuns no espaço do que se imaginava. Novas análises das amostras de Ryugu e de outros corpos celestes devem ampliar a investigação sobre como esses compostos se formaram e qual pode ter sido o papel deles na origem da vida na Terra.

