Corridas extremas afetam glóbulos vermelhos, diz estudo

Pesquisa aponta danos celulares após provas de 40 km e 171 km

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Corridas muito extensas podem causar danos nos glóbulos vermelhos
Foto: RUN 4 FFWPU/Pexels

Participar de corridas de resistência extrema, como ultramaratonas de 40 km e 171 km, pode provocar danos estruturais e moleculares nos glóbulos vermelhos, células responsáveis pelo transporte de oxigênio no corpo. A constatação é de um estudo publicado na revista científica “Blood Red Cells & Iron”, da Sociedade Americana de Hematologia.

Os pesquisadores analisaram como o esforço prolongado impacta a flexibilidade dessas células, fundamental para que circulem por vasos sanguíneos estreitos e mantenham o fornecimento adequado de oxigênio aos tecidos.

Pesquisa analisou provas de 40 km e 171 km

O estudo avaliou 23 corredores que participaram de duas competições internacionais: a prova Martigny-Combes à Chamonix, com 40 quilômetros, e a Ultra Trail du Mont Blanc, com 171 quilômetros.

Foram coletadas amostras de sangue antes e depois das corridas. Os cientistas examinaram milhares de proteínas, lipídios, metabólitos e oligoelementos presentes no plasma e nos glóbulos vermelhos.

Os resultados indicaram evidências de danos mecânicos e moleculares nas células.

Os danos mecânicos estão ligados ao estresse físico causado pela circulação intensa do sangue durante a prova, com variações de pressão e deformações repetidas. Já os danos moleculares envolvem alterações químicas associadas à inflamação e ao estresse oxidativo.

Essas alterações já foram identificadas após a corrida de 40 km e se mostraram mais intensas nos atletas que completaram os 171 km.

Segundo os autores, quanto maior a distância percorrida, maior a perda de glóbulos vermelhos e o acúmulo de danos nas células que permanecem na circulação.

Efeitos a longo prazo ainda são incertos

Os pesquisadores afirmam que ainda não é possível determinar quanto tempo o organismo leva para reparar os danos nem quais podem ser as consequências no longo prazo.

O professor Travis Nemkov, da Universidade do Colorado Anschutz, destacou que o estudo não tem como objetivo desestimular a prática de atividade física, mas alertar sobre os impactos do estresse extremo sobre as células sanguíneas.

A pesquisa também apresenta limitações, como o número reduzido de participantes e a análise realizada em apenas dois momentos.

Os cientistas defendem que compreender esses efeitos pode ajudar no desenvolvimento de estratégias para reduzir impactos, como treinos personalizados, ajustes nutricionais e protocolos de recuperação.

O estudo reforça que atividades físicas moderadas, como corridas de rua ou treinos em esteira, não foram alvo da análise e continuam associadas a benefícios comprovados para a saúde.

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