Crônica: O líder

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Por Carlos Rubem

Há 40 dias, talvez, Juarez Piauhyense de Freitas Tapety, 87 anos, encontra-se acamado no Hospital da UNIMED, em Teresina. Fez alguns procedimentos visando estancar sangramentos na bexiga. Por fim, este órgão foi extirpado. Convalescente, continua sob cuidados médicos. O seu estado de saúde é estável.

Na manhã de hoje (30.07.2018), fui fazer-lhe uma visita. Ao me ver, declinou o meu nome, demonstrou satisfação ante a minha presença. Sorriu! Em seguida, segurou a minha mão com muita força. Perguntou-me pelos meus irmãos Paulo Jorge e João Henrique. Emocionou-se!…

Embora compreenda o que passa ao seu redor, evidencie conectividade, vez por passa por delírios. Afirma que alguém praticou um mal ao seu pai (José Tapety, falecido em 1952); que estão fazendo sacanagem com Oeiras; que seu amigos estão sendo perseguidos; se estrebucha bradando que necessita reagir; que não pode fugir à luta…

Quem bem o conhece e constata estes devaneios fica com o coração partido. O Juarez velho de guerra, intimorato, apegado à sua terra e à sua gente amiga está vivo como dantes. Me pediu apoio… Tudo isso são efeitos da anestesia, calmantes, certamente.

Logo depois, mantivemos conversa aprumada. Indaguei-lhe sobre o atual quadro político. “Uma sem-vergonhice total. Homens sem princípios…”, retrucou.

Enquanto por lá estive, apareceram alguns profissionais: médico, enfermeira, nutricionista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta. Alimentou-se, fez exercícios físicos. Mas não larga seu pente. Vaidoso, toda hora se penteia!

Em dado momento, a Licinha – minha dileta prima – sua filha, procurou fazer um registro fotográfico nosso. Reparei que ele não ficou muito à vontade porque estava sem camisa. Está doido para sair daquele nosocômio, rever sua cidade natal.

Quando fui me despedi, ele me olhou profundamente revelando confiança em mim…

Ao retornar à minha casa, as imagens da aludida visita desfilaram em minha mente. Parei o carro debaixo de uma frondosa árvore. Não pude mais controlar as lágrimas, assim como agora ao dar um ponto final pobre crônica.

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