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Crônica: Santa ira

Por Carlos Rubem – Tudo o que se faz para beneficiar a mãe é pouco. A gratidão filial é um sentimento transcende. Maldito o filho desnaturado!

Antônio Carlos Magalhães foi médico, empresário e político brasileiro. Ganhou notoriedade no âmbito nacional. Exerceu diversos e destacados cargos públicos. Figura controvertida, conhecido por Toninho Malvadeza por ser incisivo contra seus adversários.

Porém, ninguém, de sã consciência, deixa de reconhecer que muito se empenhou para projetar o seu estado natal, Bahia, em tudo o que era possível e impossível. O amor telúrico foi a sua marca registrada.

Aqui mesmo no Piauí, homens públicos como o ministro João Paulo dos Reis Veloso e os governadores, Alberto Silva e Mão Santa, e tantos outros, no comando do poder político que dispunham, deram tratamento diferenciado à comum cidade deles, a bela e progressista Parnaíba.

No período republicano, Oeiras teve 04 filhos à frente do Poder Executivo Estadual, a saber: Alvaro Mendes (1904 – 1911), Tibério Nunes (1962 – 1963), e nos últimos 20 anos tivemos Wilson Martins e Wellington Dias.

O Piauí tem uma irresgatável dívida de gratidão para com Oeiras. Com a mudança da capital para Teresina, a terra-máter do nosso estado enfrentou muitas agruras, foi relegada, miseravelmente. Ao longo de sua história cresce aos empurrões, resiste aos descuidos que lhe impingem.

Não seria justo desconhecer o surto desenvolvimentista que atingimos, ultimamente. Mas é muito aquém do que necessitamos e merecemos.

Malgrado as nossas potencialidades econômicas e sociais, temos perdido oportunidades de crescimento por falta de planejamento, esforços conjugados e defesa intransigente dos nossos caros propósitos. Pensando bem, tudo o que é destinado a Oeiras é de forma acanhada. E olhem que não somos acometidos do complexo de vira-lata. Ao contrário. Possuímos elevada autoestima.

Não obstante, a sociedade civil e a classe política não se levantam à altura indispensável para se conseguir investimentos de monta. Nos últimos anos a acomodação é o traço que nos identifica. O personalismo, o grupismo tacanho, prepondera.

Estamos carentes de representação que faça acontecer a melhoria da qualidade de vida em todos os aspectos administrativos. Agrados pontuais apenas inebria os incautos.

O descaso para com a coisa pública está às escâncaras. A demora injustificável na resolução dos nossos prementes problemas é uma constatação rasa e assustadora.

É com muita tristeza e irresignação que tomo conhecimento pela imprensa de que um velho pleito oeirense foi postergado, mais uma vez, pelo governo do estado. Ou seja, Oeiras não está no rol das cidades que serão contempladas com um Batalhão do Corpo de Bombeiros.

Ontem (01.10.2021), o governador Wellington Dias determinou a criação desses equipamentos públicos para as cidades de Corrente, Bom Jesus, São Raimundo Nonato, Uruçuí e Esperantina.

Nada tenho contra as cidades indicadas. Razões estratégicas devem ter permeado estas escolhas.

Mas não posso me conformar com mais este escanteio que Oeiras sofre. A “Invicta Cidade” há muito pede, suplica, implora ao seu ilustre filho, Wellington Dias, que a dote com tal cometimento.

Ora, ações políticas servem para destravar impasses, atender legítimos reclamos. Parece que tudo para as bandas de cá é mais difícil.

Tudo bem que o nosso conterrâneo, mesmo afogado no poder, apresente-se como um bom moço, seja uma pessoa encantadora.

No entanto, brandir uma santa ira pode até nada resolver, mas não anula quem a ergue e dela faz coro.

P.S. – Hoje (02.10.2021), logo que postei artigo acima na minha página do Facebook, o Governador Wellington Dias, pessoa lhana, sempre primando pela franqueza e cavalheirismo, enviou-me a seguinte mensagem:

“Peço apenas para evitar divulgar informações sem antes checar a veracidade. Evito por respeito a nossa relação responder de público como você faz.

Sim, Oeiras contará com sua base dos Bombeiros, já nas primeiras novas 6 de um total de 10 programados pelo Plano.

Governador autoriza novos batalhões do Corpo de Bombeiros em cinco cidades

Será no velho prédio do DER e integrado com nova unidade da Segurança para aquela região da cidade”.

Acrescentei-lhe que colhi tal informação no site “Pensar Piauí”, sob a responsabilidade do jornalista Oscar de Barros, que me assegurou que esta notícia foi produzida pela Assessoria de Comunicação do Palácio de Karnak.

Diante da notícia imprecisa, disse a Sua Excelência que o importante, o que vale, é a palavra dele empenhada.

Enfim, Oeiras, em breve, contará com uma unidade do Corpo de Bombeiros.

Entre afogados e queimados todos se salvaram!

 

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