EUA impõem tarifa de 25% e ampliam pressão comercial sobre o Brasil

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O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano. A cobrança entrará em vigor no dia 22 de julho e faz parte de uma nova etapa da política comercial adotada pelo presidente Donald Trump.

Segundo a Casa Branca, a decisão foi tomada com base na avaliação de que o Brasil mantém práticas consideradas desleais e prejudiciais à indústria dos Estados Unidos. Entre os pontos citados estão o funcionamento do Pix, o combate à corrupção, a proteção à propriedade intelectual, a tributação sobre o etanol americano, o desmatamento ilegal e acordos comerciais firmados pelo Brasil com México e Índia.

Autoridades da administração americana informaram ao SBT News que, ao longo de um ano, foram apresentadas diferentes propostas ao governo brasileiro. De acordo com esses representantes, apenas nas últimas semanas houve uma postura considerada mais construtiva por parte do Brasil, embora as sugestões apresentadas tenham sido classificadas pelos EUA como genéricas, sem compromissos específicos.

Ainda conforme integrantes do alto escalão do governo americano, uma eventual retaliação por parte do Brasil poderá provocar uma nova resposta dos Estados Unidos. Segundo eles, apenas China e Canadá adotaram medidas de reação após a imposição de tarifas semelhantes.

Antes da confirmação da medida, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro avalia retomar um processo de reciprocidade comercial. Ele também não descartou a possibilidade de editar uma medida provisória para proteger empresas brasileiras afetadas pela decisão.

As autoridades americanas afirmam que a iniciativa não possui motivação política e sustentam que o objetivo é penalizar práticas comerciais consideradas desleais. Apesar da confirmação das tarifas, as negociações entre os dois países continuam e podem resultar em uma eventual revisão da medida.

Estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que mais de 4.100 mercadorias poderão ser atingidas pelas novas tarifas, o equivalente a aproximadamente R$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras.

A decisão foi anunciada após o encerramento do prazo da audiência pública realizada em Washington, que contou com a participação de empresários brasileiros, representantes do governo federal e do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência.

Nas últimas semanas, o governo brasileiro intensificou as negociações com autoridades americanas. No início do mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou um conjunto de medidas voltadas aos temas apontados pela Casa Branca, mas a iniciativa não evitou a confirmação da nova taxação.

Com a entrada em vigor das tarifas, o Palácio do Planalto discute a continuidade das negociações, que poderão ser retomadas em um novo momento.

A investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apontou seis áreas de preocupação: comércio digital e serviços de pagamento, incluindo o Pix; acordos tarifários com México e Índia; combate à corrupção; proteção à propriedade intelectual; acesso do etanol americano ao mercado brasileiro; e fiscalização do desmatamento ilegal. Esses pontos serviram de base para a proposta das novas tarifas, apresentada em junho.

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