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Falta de prestação de contas prejudica repasses para CT Sarah Menezes

A falta de prestação de contas por parte da Associação de Judô Expedito Falcão (AJEF), que administra o Centro de Treinamento Sarah Menezes, é o motivo dos atrasos salariais dos professores. É o que informou a Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

Após manifestações dos professores e alunos do Centro de Treinamento Sarah Menezes, escola de judô que atende centenas de alunos, em razão de atrasos salariais de professores, que somam cerca de dois anos sem pagamento, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) informou que “o atraso na liberação de parcelas previstas no cronograma do Termo de Fomento firmado no ano de 2018 com a Associação de Judô Expedito Falcão (AJEF), para manutenção do Centro de Treinamento Sarah Menezes, se deu por pendências na prestação de contas por parte da Associação para com a Seduc, problema sanado somente no mês de novembro do corrente ano”.

De acordo com a Seduc, “a prestação de contas está sendo analisada e, ao final do processo, o referido pagamento será efetuado. A previsão é que as primeiras parcelas sejam pagas ainda no mês de dezembro”.

Hildelbrando Júnior, Gestor Financeiro AJEF explicou que no histórico da Parceria Governo/AJEF, a Associação teve dois Termos de Fomento (010/2016, 006/2017) e um Termo de Colaboração (001/2018) aditivado pelo Termo Aditivo 002/2019, todos celebrados por meio da Seduc. Mas não justifica a falta do repasse.

“Dizer que estamos este grande período sem receber por conta de prestações de contas que não estão sendo feitas é uma inverdade. A Associação de Judô Expedito Falcão teve, sim, uma parcela de culpa, mas isso foi em 2018 ainda e foi sanado em uma única prestação de contas que levou bastante tempo a ser enviada por conta de um erro interno da Associação, erro meu, Hildelbrando Júnior. Não necessitamos para receber um próximo recurso ter uma prestação de contas aprovada, mas sim ela apresentada. Recebemos o repasse e temos um período para prestar contas. Após apresentar a prestação de contas eles, da Seduc, têm um período para analisar e aprovar com ressalvas ou na totalidade. Hoje, desde o mês passado, novembro 2019, estamos com todas as prestações de contas aprovadas que, mesmo sendo aprovadas somente em novembro foram enviadas ainda em maio do corrente ano. E isso estou falando dos Termos de Fomento pois do Termo de Colaboração que tem sua vigência de Março de 2018 a Março de 2019 e aditivado até Setembro de 2019 nada recebemos”, ponderou.

De acordo com ele, a demora para o repasse se deve a fatores inúmeros que foram pontuados na segunda-feira (2), em reunião na Seduc, onde estiveram presentes pessoas de setores diversos daquele órgão.

“Mas desses fatores diversos, inclusive um foi de sistema e um outro eu faço questão de ressaltar, pois somente esse não vi a boa vontade que sempre vejo por parte da SEDUC em honrar com o compromisso. Repito: sempre fui muito bem atendido lá por pessoas sempre dispostas a resolverem os problemas, dentre elas Sara, analista da parte financeira da prestação de contas sem falar também da CGE que sempre também muito bem nos recebeu quanto às peculiaridades do sistema (SISCON). Pois bem trata-se da mudança do Fiscal de Convênio. A fiscal anterior era bastante presente, com visitas constantes ao Centro e acompanhamento no andamento das atividades. A mudança do fiscal fez com que o novo fiscal assumisse e que tivesse que validar ou não algo que não acompanhou. Ele tem suas maneiras de fiscalizar, mas não conhecer e nunca ir ao Centro me causou um certo desconforto. Tudo o que nos foi solicitado foi apresentado mas nunca era suficiente e sempre solicitado mais, o que me fez ir e vir naquele órgão diversas vezes. Tem previsto para Sarah Menezes, nossa atleta campeã olímpica, visitas técnicas que foram realizadas tudo dentro do planejado e, por parte desse fiscal, pediu-se declarações dela que ela realmente prestou o serviço. Foi feito mas não foi aceito por se tratar de algo assinado por ela, escaneado e impresso aqui em Teresina pois segundo ele, “parecia cópia”.

Ele ainda denunciou que o Fiscal de Convênio deixou claro que não quer ser fiscal, o que, segundo ele, teria afetado o bom andamento do processo. “Dentre os motivos alegou que o cargo dele o faz viajar bastante, inclusive nos mostrando documento protocolado por ele pedindo afastamento da fiscalização do convênio. Isso não tem como não nos levar a crer e pensar na má vontade”.

Por fim, mostrou uma expectativa positiva após a reunião de segunda-feira. “Penso que tudo se ajustará, principalmente após a conversa de ontem [segunda-feira] na Seduc pois havia, de alguma maneira, informações desconhecidas por alguns gestores e isso faz a mim, Hildelbrando Júnior, ter boa perspectiva”, finalizou.

Professores do CT Sarah Menezes estão há dois anos sem receber

Os professores do Centro de Treinamento Sarah Menezes, que fica no bairro Saci, zona Sul de Teresina, estão sem receber há dois anos. Os atrasos contam desde o início de 2018, e as dificuldades levaram os professores e alunos a fazerem uma manifestação no final da tarde desta segunda-feira (2) no espaço de trerinamento de judô.

Pais, alunos e professores estão cansados da situação, que é um reflexo do descaso com o esporte. Sem os professores, o Centro de Treinamento pode fechar as portas.

É o que explica Jéssika Santos, professora de judô do CT. “Ninguém trabalha de graça. Após dois anos, decidimos parar hoje. Ninguém trabalha dois anos de graça. A gente empurrou com a barriga durante muito tempo porque fica um aperto no coração por causa das crianças. Já chorei, é triste e comovente. Mas chegou ao ponto que eu tenho que botar gasolina, comprar o que comer e pagar minhas contas”, conta.

Muitos alunos têm indicação médica para o judô. “Eu sou professora, é uma questão de respeito. Estudei para isso. Tem crianças aqui que são autistas, com laudo médico, e que não podem ficar sem a aula. O esporte é saúde. Além de ser um caminho para sair das drogas, ruas, zona de conforto e tecnologia. Muitas mães falam que o judô transforma o comportamento escolar e em casa”, acrescenta.

Os professores receberam salários apenas no início do projeto. “Nós recebemos apenas no início do projeto. Mas desde o início de 2018 nós não recebemos. Não sei mais o que é receber dinheiro daqui. Tinha pai fazendo vaquinha para a gente botar gasolina. A gente não quer aceitar, mas eles não querem que a gente pare. Imagina que fico aqui de segunda a sábado de 14h às 17h30 com três turmas. Eu preciso de um retorno”, aponta a professora Jéssika.

Kayla Macêdo é uma atleta internacional piauiense. Como judoca, ela já defendeu o Piauí Brasil afora. Mas agora ela sente na pele o descaso do governo. “É muito ruim o CT correr o risco de ser fechado. Aqui carrega o peso do nome da Sarah Menezes, nossa atleta olímpica. As crianças precisam ser felizes praticando o judô. Daqui, com certeza, temos talentos em potencial, além de futuros atletas olímpicos”, revela.

A judoca afirma que é preciso uma contrapartida do governo para manter a escola funcionando. “Minha carreira também fica prejudicada. Aqui reúne todos os atletas, é um bom treino para mim. Aqui eu pego no quimono de muita gente, e isso contribui no meu crescimento como atleta”, completa Kayla. (LA.)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Meio Norte

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