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Joel quem? Pablo o quê? Alvos de desconfiança, Carli vira o líder do Botafogo, e Marí brilha no Flamengo

Xerifes com sotaque espanhol, os dois vivem momentos distintos, mas dividem algo em comum: chegaram como desconhecidos e se firmaram nos rivais cariocas. Hoje, duelam no Nilton Santos

Embora opostos na tabela e em momento anímico totalmente diferente, Botafogo e Flamengo têm coincidências. Uma delas diz respeito a zagueiros gringos. Ou vai dizer, botafoguense, que você não torceu o nariz quando ouviu o nome do argentino Joel Carli em 2016? E que rubro-negro há poucos meses não perguntou a si mesmo: “espanhol vindo da Segunda Divisão? Tá de brincadeira!”. “Sí”, hoje teremos um duelo de grandalhões estrangeiros pela pelota nos escanteios. Os rivais se enfrentam às 20h, no Nilton Santos.

Em respeito ao mandante e por tempo de casa, comecemos falando de Joel Carli. Hoje aos 33 anos de vida e com quatro de Botafogo, é o principal líder alvinegro. Representa o grupo nas reuniões com a diretoria, discute prêmios, salários atrasados e participa de decisões importantes.

Embora o Botafogo tenha outras vozes ativas como as de João Paulo, Gilson, Rodrigo Pimpão e do novato Gabriel, a braçadeira é de Carli. Alcançou tal condição pelas boas atuações, seriedade em campo e identificação criada com a torcida.

Mas em janeiro de 2016, assim como aconteceu com Pablo Marí em julho de 2019, a situação era muito diferente.

Joel Carli está em sua quarta temporada no Botafogo — Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Chegou ao Botafogo como um argentino desconhecido que somava passagens pelos não menos conhecidos Aldovisi e Deportivo Morón. Também tinha defendido o Gimnasia La Plata, nem tanto anônimo assim, e o Quilmes, seu último clube antes de vestir o preto e branco.

Detalhe: chegava sem ritmo, já que era reserva no Quilmes, e com credenciais não muito animadoras. Em reportagem ao GloboEsporte.com, o jornalista argentino Pato Burlone, do TyC Sports, o definiu da seguinte maneira.

– Carli é um zagueiro central bastante alto, de 1,91m. Tem um ótimo jogo aéreo defensivo. É forte e lutador. Porém, não é tecnicamente habilidoso. Por isso, acabou o campeonato na reserva. O novo treinador, o Facundo Sava, prefere os zagueiros mais habilidosos e que sejam bons na saída e toque de bola. Pela sua forma de jogar, sempre forte, recebe muitos cartões.

As previsões do jornalista se confirmaram inicialmente. Técnico que recebeu Carli no Botafogo, o ex-zagueiro Ricardo Gomes assustou-se com os primeiros treinamentos e ficou com a impressão de que o clube errara – e feio – na contratação.

Erro de Ricardo. Carli fez um ótimo 2016 e conquistou os botafoguenses, tornando-se um dos cabeças do time, mesmo no período em que Jefferson era o grande ídolo da torcida.

Responsável por sua contratação, o hoje demissionário Gustavo Noronha – foi exonerado da vice-presidência de futebol na terça-feira – ganhou muita força por ter apostado no defensor. À época, Noronha era diretor jurídico do Botafogo.

Carli, a exemplo do Botafogo, não faz uma boa temporada. Perdeu quase metade dela, participando de apenas 26 dos 51 jogos da equipe. Problemas musculares e suspensões o atrapalharam, mas o camisa 3 ainda tem muito respeito da torcida, dos companheiros e da diretoria.

Da segunda divisão espanhola ao sucesso no Flamengo

Problemas físicos que contrastam com a forma de Pablo Marí, do alto de seu 1,93m e 26 anos de idade. Em meio a tantas virtudes que tem mostrado em seus primeiros meses no Flamengo, uma delas é a resistência. O hombre não cansa.

O Botafogo foi justamente o adversário em sua estreia. Na vitória por 3 a 2 no Maracanã, em 28 de julho, no primeiro turno, Marí substituiu Rodrigo Caio no primeiro tempo e não saiu mais do time. Ou seja, completou um turno no Flamengo e ficou fora apenas contra o CSA, suspenso. Atuou em 23 partidas – incluindo cinco pela Libertadores – e jogou 90 minutos em todas, exceto contra o rival.

O prestígio atual em nada lembra a chegada em julho. É raro encontrar um torcedor brasileiro que o conhecesse antes do Flamengo. Embora pertencesse ao Manchester City, nunca atuou pelo clube inglês e estava emprestado ao La Coruña, da Segunda Divisão espanhola. Muita gente torceu o nariz.

Ao chegar ao Brasil, Jorge Jesus pediu um zagueiro canhoto, com bom lançamento. Marí foi pinçado pelo Centro de Inteligência de Mercado (CIM) do Flamengo e teve o nome aprovado pelo treinador. Marcos Braz e Bruno Spindel foram à Espanha e fecharam rapidamente o negócio, por um preço relativamente barato: cerca de R$ 9 milhões, incluindo a aquisição de 100% dos direitos econômicos, luvas e comissões. O espanhol já marcou três gols.

– Ele é um zagueiro seguro, completo, que domina bem as duas áreas. Defensor de qualidade, muito forte pelo alto, mas também tem velocidade. É um grande lançador e costuma fazer gols em jogadas de bola parada. Jogador de equipe. No Flamengo, acredito que ele possa se tornar um baluarte por sua liderança e seriedade. Certamente a torcida vai aprovar, e estou seguro que Pablo pode escrever uma nova página na história do Flamengo – previu na época Alberto Torres, editor do DXT Campeón, jornal esportivo da Galícia.

Teria uma bola de cristal o jornalista europeu? Pablo Marí, de fato, apresentou todas as qualidades especificadas na época por Alberto Torres, em entrevista ao GloboEsporte.com. Além disso, assim como previu o periodista, Pablo está ao lado dos companheiros escrevendo uma nova página na história do Flamengo, que parece se encaminhar para a conquista de títulos.

Se tornar uma referência como Carli é hoje dentro do Botafogo parece um caminho sem volta para Marí. Pero quién vá ganar en “El Niltão” (Quem vai ganhar?): o cascudo argentino em busca da reabilitação individual e coletiva ou o espanhol que mais parece ter quatro anos do que apenas quatro meses de Gávea? Hasta luego, alguaciles! (Até logo, xerifes!)

Fonte: Globo Esporte

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