Justiça decreta sigilo em caso de PM encontrada morta em SP

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A Justiça de São Paulo determinou que a investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, passe a tramitar sob segredo de Justiça. A decisão foi tomada nesta semana pela juíza responsável pelo caso, restringindo o acesso aos detalhes do inquérito às autoridades envolvidas na apuração.

O caso é investigado pelo 8º Distrito Policial, localizado no bairro do Brás, na região central da capital paulista. Inicialmente, a ocorrência foi registrada como suicídio, mas com o avanço das apurações a Polícia Civil passou a tratar o caso como morte suspeita.

Até o momento, o marido da policial, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, não foi formalmente apontado como suspeito. Informações indicam que ele estaria em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

Investigação analisa ausência de cápsula da munição

Entre os pontos investigados está a ausência da cápsula da munição no local onde ocorreu o disparo que matou a policial. Segundo registros do inquérito, apenas o projétil foi encontrado durante a perícia.

A bala ficou alojada no crânio da vítima e foi identificada no exame necroscópico realizado no Instituto Médico Legal (IML), que apontou como causa da morte traumatismo crânio-encefálico provocado por disparo de arma de fogo.

A cápsula da munição, no entanto, não foi localizada no apartamento. De acordo com a investigação, equipes do Corpo de Bombeiros, socorristas e policiais militares estiveram no local e não encontraram o estojo da bala.

A arma utilizada seria uma pistola calibre .40, modelo semiautomático que normalmente ejeta a cápsula da munição para fora após o disparo. Por esse motivo, investigadores consideram que o estojo costuma permanecer próximo ao local do tiro, geralmente no chão ou nas proximidades do atirador.

A ausência da cápsula passou a ser um dos elementos analisados para esclarecer o que ocorreu dentro do apartamento no momento do disparo.

Laudo aponta lesões no corpo da policial

Documentos da investigação indicam que a Polícia Civil teve conhecimento de lesões no corpo da policial desde o dia 19 de fevereiro, quando foi realizado o exame necroscópico no Instituto Médico Legal da capital.

O laudo foi elaborado após requisição do delegado responsável pelo inquérito e analisou o corpo da vítima após o óbito registrado no Hospital das Clínicas.

O documento confirma que a morte foi causada por traumatismo crânio-encefálico grave decorrente de disparo de arma de fogo. O exame também descreve outras marcas no corpo da policial.

Entre os registros estão marcas ao redor de um dos olhos, lesões compatíveis com pressão de dedos na região da mandíbula e do pescoço, além de arranhões e escoriações em diferentes partes do corpo.

Os peritos também apontaram que o ferimento provocado pelo disparo apresenta características compatíveis com tiro encostado, com entrada do projétil na região frontal direita do crânio e trajetória em direção ao lado esquerdo da cabeça.

Apesar das constatações periciais, o laudo destaca que a natureza jurídica da morte — se homicídio, suicídio ou outra hipótese — deverá ser definida posteriormente pela autoridade policial responsável pela investigação.

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