A morte do narcotraficante Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, no último domingo (22), desencadeou uma onda de violência em diferentes estados do México. A reação de grupos criminosos resultou em bloqueios de estradas, saques, ataques armados e ao menos 73 mortes, segundo autoridades mexicanas.
El Mencho liderava o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), apontado como um dos principais responsáveis pelo tráfico internacional de drogas, incluindo fentanil, metanfetamina e cocaína destinadas aos Estados Unidos. Ele estava entre os mais procurados pelo governo norte-americano, que oferecia recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura.
Operação conjunta ocorreu em Jalisco
De acordo com o secretário de Defesa do México, general Ricardo Trevilla, a ação que levou à captura do narcotraficante contou com cooperação dos Estados Unidos. Investigadores localizaram o paradeiro de El Mencho após monitorarem a namorada dele, que o visitou em um imóvel na cidade de Tapalpa, região montanhosa do estado de Jalisco, na sexta-feira (20).
No sábado (21), tropas do Exército foram enviadas ao município com apoio de aeronaves e helicópteros militares. Na madrugada de domingo (22), o imóvel foi cercado. Guarda-costas reagiram e houve intensa troca de tiros.
Durante o confronto, El Mencho tentou fugir para uma cabana em área de mata, mas foi localizado pouco depois. Ele foi atingido, chegou a ser capturado e morreu enquanto era transportado para a capital mexicana, a Cidade do México.
Além do líder do cartel, outros seis integrantes morreram na operação. Três militares ficaram feridos. Dois suspeitos foram presos e armas de alto poder de destruição foram apreendidas, incluindo lançadores de foguetes semelhantes aos usados pelo grupo para derrubar um helicóptero militar em 2015.
Ataques e retaliações após confirmação da morte
Após a confirmação da morte de El Mencho, integrantes do CJNG realizaram ataques coordenados. Criminosos invadiram o Aeroporto Internacional de Guadalajara e efetuaram disparos. Também houve incêndio de veículos, depredação de bancos e saques a estabelecimentos comerciais.
A escalada da violência levou à suspensão de aulas e serviços públicos em algumas regiões. Embaixadas emitiram alertas de segurança a seus cidadãos.
Nesta terça-feira (24), o governo informou o envio de mais 2,5 mil soldados à região afetada, elevando para 9,5 mil o número de militares mobilizados. O balanço oficial aponta 73 mortos, entre membros das forças de segurança, trabalhadores federais e suspeitos ligados ao crime organizado.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou que a situação está “voltando ao normal” e afirmou que o governo mantém coordenação entre forças armadas e autoridades civis para restabelecer a segurança.
A crise evidencia o impacto da cooperação entre México e Estados Unidos no combate ao narcotráfico e a reação imediata das organizações criminosas diante da perda de uma de suas principais lideranças.







