A Assembleia de Especialistas do Irã nomeou, neste domingo, Mojtaba Khamenei como o novo líder supremo do país. Ele assume a principal autoridade política e religiosa do Irã após a morte do pai, o aiatolá Ali Khamenei, que foi assassinado em um ataque coordenado atribuído aos Estados Unidos e a Israel contra Teerã no dia 28 de fevereiro.
Nascido em 8 de setembro de 1969, Mojtaba é o segundo dos seis filhos de Ali Khamenei. Segundo a mídia iraniana, ele estudou na escola religiosa Alavi, em Teerã, e aos 17 anos chegou a servir por curtos períodos no exército durante a Guerra Irã-Iraque. Posteriormente, retornou à formação religiosa.
Novo líder tem influência política nos bastidores do regime iraniano
Apesar de manter perfil discreto e nunca ter ocupado cargos formais no governo, Mojtaba construiu influência dentro da estrutura política do país. Analistas apontam sua proximidade com a Guarda Revolucionária Islâmica, um dos principais braços das forças militares iranianas.
Considerado ligado à ala mais conservadora do regime, ele é conhecido por posições contrárias a reformas políticas e por rejeitar aproximações diplomáticas com países do Ocidente.
Para o especialista em Relações Internacionais Uriã Fancelli, a escolha pode gerar controvérsia dentro do próprio Irã. Isso porque a Revolução Islâmica de 1979 derrubou a monarquia prometendo acabar com a lógica hereditária do poder.
Segundo o analista, a sucessão direta de pai para filho pode ser vista como um movimento que contraria o discurso histórico do regime.
Nomeação aumenta tensão no cenário internacional
Após o anúncio da nomeação, as Forças de Defesa de Israel afirmaram que continuarão perseguindo qualquer sucessor de Ali Khamenei e responsabilizaram o governo iraniano pela continuidade do regime.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também reagiu à escolha. Segundo ele, Mojtaba Khamenei não permaneceria por muito tempo no poder sem aprovação internacional.
A declaração foi criticada pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que afirmou que a escolha do líder supremo é uma decisão soberana do povo iraniano e não deve sofrer interferência externa.
Conflito no Oriente Médio se intensifica após ataques
A nomeação ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. No final de fevereiro, o Irã foi alvo de um ataque militar coordenado entre Estados Unidos e Israel contra alvos em Teerã, que deixou mais de 500 mortos.
O bombardeio ocorreu em meio às negociações sobre um possível novo acordo nuclear entre o Irã e os Estados Unidos. O país persa afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos, enquanto Washington e aliados acusam Teerã de buscar capacidade para desenvolver armas nucleares.
Após os ataques, o Irã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas na região. O conflito se ampliou com ações do Hezbollah no Líbano e com novos ataques envolvendo drones e forças militares no Oriente Médio.



