Inquéritos da PF sobre abuso infantil na internet dobram no Piauí

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O número de inquéritos policiais abertos pela Polícia Federal para investigar crimes de abuso sexual infantojuvenil na internet mais que dobrou no Piauí nos últimos dois anos. Os dados foram revelados em levantamento da organização Fiquem Sabendo, especializada em transparência pública, com base em informações da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos (DCIBER).

De acordo com o estudo, a quantidade de investigações instauradas pela PF no estado passou de 15 em 2023 para 33 em 2024. Cada inquérito pode apurar mais de uma conduta criminosa, envolvendo diferentes vítimas e suspeitos, o que indica que o número real de crimes investigados pode ser ainda maior.

Polícia Federal investiga crimes de exploração infantil na internet

Segundo a delegada da Polícia Federal, Milena Caland, as investigações no Piauí têm como foco crimes como armazenamento, compartilhamento, produção e comercialização de material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes por meio da internet.

“São crimes gravíssimos que implicam em violações aos direitos humanos das vítimas e que exigem atenção e repressão contínuas pelos organismos de segurança pública”, afirmou a delegada.

No cenário nacional, o número de investigações abertas pela Polícia Federal relacionadas ao abuso sexual infantojuvenil na internet apresentou queda de 8% em 2025 em comparação com 2024. Foram 2.173 inquéritos em 2024 e 1.999 no ano passado. Ainda assim, o volume permanece elevado em relação a 2023, quando foram instaurados 1.431 casos no país.

Em oito estados brasileiros houve aumento no número de investigações em 2025: Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Rondônia, Roraima e Tocantins.

A violência sexual contra crianças e adolescentes é considerada crime hediondo no Brasil desde 2014.

Como ocorrem os crimes no ambiente virtual

De acordo com a Polícia Federal, a internet é o principal meio utilizado pelos criminosos para acessar e compartilhar conteúdos ilegais. Redes sociais, jogos on-line com chats não moderados, fóruns e aplicativos de mensagens são algumas das plataformas utilizadas para abordagem de vítimas.

Segundo a delegada Milena Caland, os abusadores costumam tentar conquistar a confiança das vítimas ou de seus responsáveis por meio de estratégias como elogios, demonstrações de interesse, promessas de presentes ou conversas aparentemente inocentes. Com o tempo, essas interações podem evoluir para manipulação, chantagens e ameaças.

Por isso, a Polícia Federal destaca a importância da supervisão parental e do acompanhamento das atividades digitais de crianças e adolescentes.

Orientação e prevenção no uso da internet

A delegada ressalta que pais, responsáveis, educadores e profissionais que atuam com crianças precisam buscar orientações sobre segurança digital e uso responsável da internet.

Entre as recomendações estão o uso de ferramentas de controle parental, o monitoramento do tempo de tela e o diálogo aberto com crianças e adolescentes sobre limites, riscos e formas de reconhecer situações de abuso.

Canais de denúncia

Casos suspeitos de abuso sexual infantojuvenil na internet podem ser denunciados de forma anônima por meio da plataforma Comunica PF, disponível no portal do Governo Federal. Na página, o cidadão deve selecionar a opção relacionada a abuso sexual infantojuvenil em ambiente cibernético e informar os detalhes do caso.

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