Navios de três países voltam a cruzar o Estreito de Ormuz em meio a tensão no Oriente Médio

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O movimento de navios pelo Estreito de Ormuz voltou a ganhar fôlego nos últimos dias, mas ainda opera longe do ritmo registrado antes do agravamento do conflito no Oriente Médio.

Dados do serviço de monitoramento marítimo Marine Traffic apontam que embarcações de países como Paquistão, China e Índia conseguiram atravessar o canal estratégico — uma das rotas mais importantes do comércio global de petróleo.

Travessias autorizadas e sinal político

No fim de semana, o Paquistão informou que recebeu autorização do Irã para a passagem de 20 navios com sua bandeira pela região.

Segundo o ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, dois navios atravessariam diariamente. Ele classificou a decisão como um “gesto positivo e construtivo” por parte do governo iraniano.

O movimento ocorre enquanto o Paquistão tenta atuar como mediador entre Estados Unidos e Irã para reduzir as tensões na região.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, teria autorizado a passagem das embarcações paquistanesas — declaração que não foi comentada oficialmente pelo Irã.

China e Índia também avançam

Além do Paquistão, outras potências asiáticas também conseguiram utilizar a rota.

Dois grandes navios porta-contêineres chineses cruzaram o estreito na segunda-feira (30) e seguem viagem rumo ao Porto Klang, na Malásia.

Já a Índia também garantiu passagem para embarcações estratégicas. Entre os navios identificados estão cargueiros transportando gás liquefeito de petróleo (GLP), item que enfrenta escassez no país.

Estratégia “calibrada” do Irã

Segundo análise do Marine Traffic, o Irã parece adotar uma postura seletiva no controle da rota marítima.

Em vez de bloquear totalmente o Estreito de Ormuz, o país estaria liberando a passagem de navios específicos como forma de enviar sinais políticos e estratégicos.

Essa estratégia inclui permitir a circulação de embarcações de países que não estejam alinhados diretamente aos interesses dos Estados Unidos ou de Israel.

Fluxo ainda abaixo do normal

Apesar da retomada gradual, o número de navios que cruzam o estreito segue significativamente inferior ao período anterior ao conflito.

A redução no tráfego continua sendo um reflexo direto das tensões geopolíticas na região, que impactam não apenas a segurança marítima, mas também o comércio global de energia.

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