
São os inúmeros ganhos conquistados através do acesso à internet na última década. A grande rede proporcionou um compartilhamento de informações inimaginável, e as atividades virtuais fazem parte do cotidiano. Comprar, vender, estudar, ler, se relacionar, informar e outras diversas outras ações podem ser realizadas através de um clique. Contudo, o Mapa da Inclusão Digital – divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quarta, dia 16 – mostrou um retrato piauiense de exclusão digital. Apenas 12,87% dos domicílios piauienses possuem acesso à internet, e para agravar a situação, oito cidades do Estado possuem conexão zero. O número é pior do que a favela Rio das Pedras, comunidade vizinha à Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, que possui o menor percentual da cidade carioca: 21%.
O estudo da Fundação apontou que 33% das residências do país têm acesso à rede, porcentagem que coloca o Brasil na 63ª posição em um ranking mundial de conectividade à internet do qual 158 países fazem parte. Entretanto, a desigualdade ainda reflete no padrão brasileiro.
O município de Aroeiras do Itaim é um exemplo. Localizado a 340 km de distância de Teresina, a cidade possui 2.440 mil habitantes. Apenas 0,77% dos domicílios da cidade têm computadores em casa. Contudo, o acesso de domicílios à rede na cidade piauiense é zero, índice comparado à realidade de países como Burkina Faso – na África – e Miamar, Sul da Ásia, que são os últimos países no ranking.
Na mesma realidade de Aroeiras do Itaim encontram-se as cidades de São Lourenço do Piauí, Paquetá, Currais, Coronel José Dias, Pavussu, Caxingó e Antônio Almeida. Juntas, elas fazem parte do ranking das 18 cidades brasileiras que não têm acesso domiciliar a internet. Tomando como base esse dado, são 32 mil habitantes do Piauí excluídos do acesso à internet em casa – de acordo a população do Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge).
No ranking dos vinte menos municípios de acesso à rede, oito são do Piauí. O restante do grupo é maranhense. Quando a taxa de acesso a computador, onze cidades do Piauí integram a lista de menores índices. O número baixo faz com que os usuários procurem outros meios para acesso à rede. No Piauí, 56.64% das pessoas que usam internet recorrem às lan houses, estabelecimentos comerciais que cobram pelo acesso. Na capital, 51.86% dos usuários frequentam esses locais.
Regiões
Para dados referentes ao Brasil, a pesquisa usou dados do Censo 2010. O município de São Caetano, em São Paulo, apresenta o maior índice do país de acesso à internet em casa, com 69% de conectividade, similar aos padrões de países como República Tcheca. Vitória (ES), Santos (SP), Florianópolis (SC) e Niterói (RJ) completam a lista dos melhores.
O dado reflete a diferença entre as regiões brasileiras. Sul, Sudeste, e Centro-Oeste lideram o ranking com os municípios de maior acesso. Na contramão, Norte e Nordeste têm as piores taxas. Para se ter uma ideia, Teresina está em 928ª posição dos municípios com internet domiciliar. Apenas 30,37% dos domicílios da capital piauiense são conectados à rede. Belo Horizonte, na 12ª posição (59,39%), seguido de Brasília, 13º lugar (58,69%), e São Paulo, na 19ª posição (57,25%) são as capitais mais bem posicionadas no ranking de conexão domiciliar à internet.
No ranking de estados brasileiros, o Distrito Federal aparece com 58% dos lares com acesso à rede mundial de computadores, seguido de São Paulo com 48%, Rio de Janeiro 44%, Santa Catarina com 41% e Paraná com 38.7%. Além do Piauí, os estados menos conectados são: Maranhão (11%); Pará com 13.7%; Ceará, 16% e Tocantins de 17%.
O objetivo do Mapa da Inclusão Digital, realizado em parceria da FGV com a Fundação Telefônica, é mapear as diversas formas de acesso à tecnologia digital e subsidiar as metas de conectividade da Organização das Nações Unidas (ONU). O ano de 2015 é o prazo fixado pela entidade para as metas do milênio.
Fonte: Portal O Dia





