O furupento

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Por Carlos Rubem

O meu avô materno, Joel Campos, sempre foi um janota, elegante, brincalhão. Namorador fino…

De tanto aprontar, certa feita, a sua esposa, vovó Bembém, enfurecida, quis enquadrá-lo.
Desafiou-o:
-Peça-me, Joel, alguma coisa, pois eu quero contrariá-lo!…
– Não diga isto, Bembém. Deixe de ser malcriada, você não é assim…
– Então, peça para ver.
– Olha Bembém, eu não quero ficar viúvo…
– Você quer que eu me mate, cabra safado!

Em 1987, quando dos preparativos para se comemorar os seus 90 anos de existência, exigia que a festa se realizasse no Oeiras Clube. Sonhava com a efeméride. Queria muito se divertir, dançar, sua atividade social preferida.

O tio Majella, médico, residente em Teresina, sempre muito comedido, ao saber do propósito de seu pai, telefonou para as suas irmãs solteironas, pedindo-lhes que o demovesse desta ideia, isto é, a escolha do lugar da aludida confraternização. Alegou que ele já estava com a idade avançada, saúde abalada, e outros argumentos que tais. Para logo, as suas ponderações ecoaram no seio familiar. A tia Amália, com seu jeito repressivo de ser, bradou: “Ele quer dá espetáculo!”. Foi escalada a filha Rita Campos para dissuadi-lo. Ante as preocupações expendidas pela interlocutora, exclamou: “Ah!… se eu morresse em cima da figura!”. Convenhamos: seria um falecimento apoteótico…

Hoje (18.07.2013), localizei uma carta datada de 23 de maio de 1956, subscrita pela vovó Bembém e endereçada ao tio Joel Filho, seu caçula. Num determinado trecho, noticia: “Seu pai agora só vive de folia, já foi a Floriano com os jogadores de Foot-ball e sábado irá para S. Mendes com os mesmos”.

Eita velho Joel danado!


Por Carlos Rubem

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