“Oeirense Invicto”: escritor Jota Jota Sousa fala da sua paixão pela leitura e escrita

Radialista, cronista e poeta conhecido como “Jota Jota”, João José de Sousa Filho, um Oeirense completo. Fascinado por gente, e lugares. Dedica a sua vida à comunicação, como contribuição para um mundo melhor. Assim conta o cronista, “parece que eu não sou gente, que eu fico admirando gente todo dia. Se uma pessoa faz uma coisa interessante eu sinto necessidade de escrever sobre aquele feito. Eu também falo sobre lugares onde passei, ruas aonde eu morei, mas o foco central da minha produção ainda é Oeiras”.

 

 

O rádio nos anos 70 chegava em Oeiras com dificuldade e vinham de outros Estados, como a Radio Salvador na Bahia e a Rádio Nacional, “a gente ouvia, e ficava se perguntando na nossa inocência como era que a voz daquelas pessoas chegava até a gente, ai foi despertando a vontade de trabalhar em cima do pensamento”, fala o poeta. Sua experiência, iniciou com a comunicação alternativa na “Trasleme Fm”, onde ficou por dois anos e meio. Depois, passou dois anos na rádio Primeira Capital, apresentando o programa “Plantão Social”, aos sábados.

 

AMOR PELA ESCRITA

O amor pela escrita vem de longe, ainda no colégio Visconde da Parnaíba, onde fez o primário e amizades que perduram até hoje. Em sua crônica “Assim era o futuro” ele discorre sobre a vida nesse colégio, “é meu colégio que eu amo de paixão, foi a minha primeira escola, que eu tive o primeiro contato com novos amigos com professores, nesta crônica, presto uma homenagem a minha professora que me alfabetizou Marcia Mendes.” E continua “uma das coisas eu mais gostava na minha infância eram as aulas de redação, que não era redação, essa palavra é recente, no meu tempo vinha na prova, faça uma composição sobra tal tema. Eu gostava de expor o meu pensamento, de construir alguma coisa logica”, explica.

 

 

A HUMILDE INFÂNCIA OEIRENSE

A infância humilde em Oeiras, com sete irmãos, em uma cidade onde praticamente existem dois mundos diferentes, não deixou que aquelas crianças desistissem dos seus sonhos, “Oeiras Sempre teve disso uma cidade só, coisas paralelas que parece que a gente nunca vai conseguir aglutinar, ou melhor que a gente nunca vai unir essa Oeiras. Meus irmãos são professores, Narinho ensina música, as minhas irmãs são todas aposentadas na profissão, e o mais velho foi uma espécie de arrimei-o de família, vive em São Paulo até hoje”, assim descreve Jota Jota.

 

 

Sua obsessão pela poesia nasceu aos 11 anos, quanto entregava revistas na cidade, “era tipo um jornaleiro, os assinante da época, eram poucos, não passavam de 10. Numa tarde de domingo no Costa Alvarenga, eu sentei, e curioso menino de 11 anos, eu abri a revista, e engraçado é que em uma das primeiras páginas, estava um poema do Emanoel Bandeira, titulado Bicho, eu gostei e ali me despertou”.

 

 

Naquela época o acesso aos livros era restrito, hoje é o contrário se tem uma vasta oferta de livros e as pessoas não querem ler. Mas, o menino Oeirense foi insistente e recebe premiações e elogios por suas escritas. Em 1986, recebeu menção honrosa em um concurso de poesias, promovido pela Revista Brasília, no DF, pelo poema “Crise de Identidade”.

 

 

Jota, escreveu três livros e tem participação em uma antologia em São Paulo pela edição AG, que chamasse Horizonte Noturno. Em seguida, recebeu uma premiação internacional, “eu ganhei em primeiro lugar no Concurso Internacional de Crônicas da Língua Portuguesa, onde participaram cronistas de Portugal, Angola, Cabo Verde e Brasil. E minha crônica ‘Parede da Solidão’, levou o primeiro lugar”, relata emocionado. O Cronista também fala orgulhoso dos seus filhos, e as citações em seus livros.

 

 

“Tenho filhos maravilhosos a Maria de Nazaré, Lourival Sandro, Ana Maria e um enteado Felipe de Deus. Eu cito eles em algumas crônicas, como a “onze de Outubro”. Onde eu faço um contraponto. Quando eu saio na rua de Teresina, para uma consulta as 6h da manhã, e encontrei na esquina uma criança que tinha a mesma idade deles na época, dormindo na calçada. Ai eu desenvolvi essa crônica, em cima disso, quando eu cheguei em casa por impulso fui direto ao quarto dos meus filhos que estavam dormindo naturalmente, e eu agradeci aos céus por não estarem em uma calçada qualquer, de uma esquina qualquer, de uma cidade qualquer”, relembra com os olhos brilhando.

 

Em outra crônica sobre seu enteado, ele escreve que o presenteou com uma baladeira, e o menino o surpreendeu com uma lição de vida, “ ele ficou alegre com o presente, no outro dia por incrível que pareça algumas rolinhas, brincavam no fio em frente a minha casa, e eu fui correndo chamar ele para atirar, eu disse ‘vai meu filho atira’, e ele respondeu ‘não tio, não vou fazer isso não, ela não esta me fazendo nada por que eu vou matar ela?”, foi uma decepção um adulto mandando uma criança matar um bichinho”, conta aos risos.

 

 

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Sem recurso para impressão dos livros Jota, depende de patrocínios de amigos e admiradores de suas obras, em seu livro mais recente “Polichiados” ele sofreu uma decepção e pensou até em desistir, “É sofrido, primeiro eu fui enganado me ofereceram patrocínio, e o patrocinador simplesmente não depositou o dinheiro na conta da gráfica, eu tive que recorrer alguns amigos generosos, sai vendendo o meu livro nas ruas, para honrar com os meus compromissos. Ai vem aquela raiva, o sentimento de frustração, a gente diz ‘esse é o último’, passa alguns dias, a gente vai dormir e já amanhece com vontade de escrever, e nunca para”, relata.

 

O primeiro livro infanto-juvenil também é dedicado a Oeiras, titulado “Carneirinho de Ouro”, será lançado em 2017, Mas, o escritor tem um romance pronto “Cerdas e Veredas”, que nunca publicou, e aborda outros lugares.

 

Além dos livros, Jota Jota é editor da Revista Invicta um trabalho que terá sua segunda fase, “Esse é o projeto que eu mais ambiciono, que eu quero pra mim, mas é o mais difícil. Eu fiz uma experiência que não foi muito boa. Mas, vou retomar agora em Janeiro. Acho que agora ela vem mesmo para ficar. Em 2017 não será um simples ano para Oeiras, a cidade completara 300 anos de emancipação política”, explana o autor.

 

Mesmo com as dificuldades o cronista é grato a população Oeirense os obstáculos são diários, o reconhecimento e as criticas muitas vezes decepcionam. O inventivo a cultura é quase inexistente, mas o sonho de comunicar e mudar o mundo não deixa o escritor desistir.

 

“A venda do livro em Oeiras ela é no pé mesmo, você tem que sair e oferecer pra poder vender, mas eu agradeço Oeiras, por que a receptividade para com os meus livros é grande. Recentemente, eu visitei umas escolas em Oeiras, mas infelizmente teve um colégio que eu cheguei e ouvi o que eu não queria ouvir, algo que me marcou. Cheguei para os professores, apresentei o livro e disse que queria que eles adquirissem, um grupo de cinco a seis professores pegou os livros e disseram, ‘mas aqui a gente não gosta de ler’, você ouvir isso de um leigo, tudo bem, agora ouvir de alguns professores, eu acho que ele está no lugar errado, coisas assim tiram a gente de tempo, mas a gente retoma as forças e cai no mundo vendendo”, pontua o editor.

 

Sandy Swamy

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