A Polícia Civil de São Paulo instaurou investigação para apurar as circunstâncias da morte da piauiense Gabriela Martins Santos Moura, de 31 anos, após complicações registradas durante um procedimento de coleta de óvulos realizado em uma clínica de reprodução assistida na capital paulista.
O caso aconteceu em fevereiro deste ano, mas voltou a ganhar repercussão nacional após a divulgação de imagens que mostram Gabriela deixando a unidade de saúde desacordada em uma maca e utilizando máscara de oxigênio logo após o procedimento.
Natural de Teresina, Gabriela passou pela coleta de óvulos no dia 17 de fevereiro na Genics Clínica Reprodutiva e Genômica Ltda., localizada na Avenida Indianópolis, na zona sul de São Paulo. Durante o atendimento, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória ainda dentro da clínica e precisou ser transferida em estado grave para o Hospital Sírio-Libanês.
A paciente permaneceu internada na Unidade de Terapia Intensiva até o dia 24 de fevereiro, quando a equipe médica confirmou a morte encefálica. Em meio ao luto, a família autorizou a doação dos órgãos.
Casada há oito anos com o médico Samuel Moura, Gabriela tentava engravidar havia cerca de dois anos. Advogada por formação, ela também atuava como terapeuta e produzia conteúdo nas redes sociais voltado à qualidade de vida, saúde emocional e mindfulness.
Na época da confirmação da morte, familiares divulgaram uma nota destacando a generosidade da jovem e a decisão de manter a doação de órgãos como forma de preservar seu legado.
“É com imensa tristeza que comunicamos a partida da nossa Gabriela, que teve a morte encefálica confirmada hoje pela equipe médica. Neste momento de dor, conforta-nos saber que seu amor e sua generosidade permanecerão vivos através da decisão de seguir com a doação de órgãos”, informou a família.
A investigação é conduzida pelo 4º Distrito Policial de São Paulo. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os profissionais envolvidos no procedimento já prestaram depoimento. A polícia aguarda agora o resultado do laudo necroscópico solicitado ao Instituto Médico Legal, que deverá apontar a causa da morte e auxiliar no esclarecimento do caso.
A morte de Gabriela provocou forte comoção entre familiares, amigos e pessoas próximas. A Universidade Federal do Piauí divulgou nota de pesar lamentando a perda da jovem e prestando solidariedade à família.
“Compartilhamos da consternação de todos diante de uma fatalidade tão rara e dolorosa, ocorrida durante a busca pelo sonho da maternidade”, destacou a instituição.
Outro caso semelhante também passou a ser investigado pela Polícia Civil de São Paulo neste mês. A juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, morreu após apresentar um quadro de hemorragia durante um procedimento de coleta de óvulos realizado em uma clínica de reprodução assistida em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. O caso foi registrado como morte suspeita e segue em apuração.



