O meia argentino Gianluca Prestianni, de 20 anos, foi ovacionado pela torcida do Benfica ao ser substituído na derrota para o Real Madrid, nesta terça-feira, no Estádio da Luz, em Lisboa. O jogador foi acusado de racismo pelo atacante brasileiro Vinícius Júnior durante a partida válida pelos playoffs da UEFA Champions League.
A confusão ocorreu após Vini Jr. marcar o gol da vitória do time espanhol na segunda etapa. Segundo as imagens da transmissão, o brasileiro discutiu com Prestianni e também com o zagueiro Otamendi antes de procurar o árbitro da partida, François Letexier, que acionou o protocolo antirracismo da Fifa ao cruzar os punhos, gesto previsto para esse tipo de ocorrência.
Apesar do acionamento do protocolo, Prestianni não recebeu cartão ou outra punição disciplinar. Vini Jr., por sua vez, foi advertido com cartão amarelo, aparentemente por atitude durante a comemoração do gol.
Torcida reage e protocolo antirracismo é acionado
Durante o episódio, parte da torcida do Benfica passou a hostilizar o atacante brasileiro em coro. De acordo com a transmissão da TNT Sports, não houve registro de palavras de cunho racista vindas das arquibancadas.
Após o apito final, Prestianni foi aplaudido de pé ao deixar o campo, mesmo tendo atuação discreta tecnicamente. O técnico do Benfica, José Mourinho, também conversou com Vini Jr. ainda no gramado, em meio à tensão.
Jogadores do Real Madrid chegaram a ameaçar deixar o campo durante a paralisação. O atacante Mbappé discutiu com Otamendi antes da retomada da partida, que ocorreu cerca de dez minutos depois do início da confusão.
Como funciona o protocolo antirracismo
O protocolo prevê três etapas. Na primeira, o árbitro identifica ou recebe denúncia sobre possível ato discriminatório e decide se interrompe o jogo. Nesse momento, os telões exibem mensagem informando o incidente.
Caso os ataques persistam, a arbitragem pode suspender ou até encerrar a partida. Todas as ocorrências ficam registradas na súmula, que servirá de base para eventuais medidas disciplinares posteriores.
O episódio reacende o debate sobre racismo no futebol europeu e deve ser analisado pelas autoridades esportivas competentes.




