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Saúde

Sarampo avança e provoca mortes no Brasil por falta de vacinação

Sete pessoas morreram em 2020 de sarampo, das quais seis eram crianças com menos de 18 meses

Enquanto há grande expectativa sobre os imunizantes que protegerão contra a Covid-19 — dois deles aprovados pela Anvisa no domingo —, a cobertura vacinal de outras enfermidades não atinge o mínimo necessário. Seis das sete mortes causadas pelo sarampo no Brasil em 2020 ocorreram em crianças com menos de 18 meses. A sétima vítima foi um homem de 34 anos. Nenhum deles tinha histórico de vacinação contra a doença.

No ano passado, foram confirmados 8.419 casos de sarampo no país, até o dia 19 de dezembro. E há, ainda, 371 em investigação.

O estado do Pará concentra o maior número de casos confirmados — 5.375 diagnósticos — e cinco mortes (dois residentes no município de Belém, dois em Novo Repartimento e um em Igarapé-Miri). Ele é seguido por Rio de Janeiro, com 1.347 casos e uma morte (um menino residente no município de Nova Iguaçu); São Paulo, com 864 diagnósticos e uma morte (residente na capital); Paraná, com 377 casos; Amapá, 177 pessoas infectadas; e Santa Catarina, com 110 diagnósticos positivos. Outros 15 estados apresentaram menos de 100 casos de infecção pelo vírus do sarampo.

A vacinação é a única forma de proteção contra a doença. No entanto, a cobertura vacinal não tem atingido a porcentagem mínima para garantir que o vírus não circule em território brasileiro. Desde 2017, a primeira e segunda doses da tríplice viral em crianças — que além do sarampo protege também contra caxumba e rubéola — não alcançou os 95% de cobertura, necessários para deixar a população protegida. Dados do Ministério da Saúde mostram que, até de 2 de outubro de 2020, a primeira dose tinha sido aplicada em apenas 70,64% do público-alvo (crianças com 12 meses), e a segunda dose — que inclui a proteção contra a varicela — foi inoculada em 55,77% das crianças com 15 meses.

A dose zero da tríplice viral, implementada pelo Ministério da Saúde em agosto de 2019 e indicada para crianças a partir dos 6 meses, agora só é aplicada em bebês que vivem nos estados com surto ativo de sarampo, que segundo o último boletim epidemiológico são Pará, Rio de Janeiro, São Paulo e Amapá. Ela não substitui as primeira e segunda doses. Adolescentes e adultos de até 29 anos devem tomar duas doses da vacina contra o sarampo caso não tenham histórico vacinal. Entre 30 e 59 anos, é necessária apenas uma dose se a pessoa nunca tiver se vacinado.

Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), lista alguns motivos para as baixas coberturas vacinais no Brasil.

Existe um fenômeno chamado de “evitação vacinal”, que significa que temos a recomendação de vacinar, a vacina disponível gratuitamente, e mesmo assim ela não é aplicada ou é com atraso — explica Cunha: — E dentro dos determinantes da evitação estão a complacência (percepção de que a doença não é perigosa), a falta de confiança (não só na eficácia e segurança da vacina, mas nos governantes, nas instituições e profissionais de saúde, que tem sido abalada por conta de fake news) e a conveniência (horários de funcionamento dos postos).

Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS/OMS) um certificado de erradicação do sarampo. No entanto, o país perdeu este reconhecimento em 2019, após ocorrer um surto da doença por mais de um ano, com novos casos surgindo. Em 2018 o Brasil registrou 10.274 diagnósticos positivos da doença, com o surto ocorrendo no Amazonas e em Roraima. Naquele ano 12 pessoas morreram em decorrência da doença.

Já em 2019, o número de casos confirmados foi bem maior: 18.203 infectados, com 15 mortes. O surto ocorreu nos estados de São Paulo (com maior número de casos), seguido do Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Santa Catarina, Minas Gerais e Pará.

O descontrole da doença ocorre não apenas no Brasil, mas em vários países. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as mortes por sarampo em todo o mundo atingiram, em 2019, seu nível mais alto em 23 anos. Uma análise feita pela OMS junto com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos mostrou que naquele ano 207.500 morreram em todo planeta por causa do vírus. O número foi 50% maior do que três anos antes, de acordo com o estudo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Globo

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