Uma tecnologia desenvolvida por uma startup brasileira passou a integrar a missão Artemis 2, da agência espacial dos Estados Unidos, voltada à exploração lunar. O equipamento foi utilizado por astronautas durante o voo realizado no início de abril, com o objetivo de acompanhar indicadores de saúde e bem-estar no espaço.
O dispositivo, criado pela empresa paulista Condor Instruments, tem formato semelhante ao de um relógio de pulso e é capaz de registrar padrões de sono, níveis de atividade física e exposição à luz. A confirmação de que o equipamento estava a bordo da espaçonave Orion chegou apenas no dia do lançamento, surpreendendo os desenvolvedores.
A tecnologia funciona por meio de sensores que identificam movimentos do corpo, intensidade luminosa e variações de temperatura. A partir desses dados, é possível mapear o chamado ciclo circadiano, responsável por regular o sono e outras funções biológicas. No ambiente espacial, onde não há alternância natural entre dia e noite, esse controle se torna mais complexo.
A falta de referência de luz natural pode afetar diretamente o descanso dos astronautas, gerando impactos cognitivos e físicos. Em missões anteriores, já foram registrados casos de privação de sono devido às condições extremas fora da Terra. Por isso, o monitoramento detalhado se tornou uma prioridade para a NASA.
O equipamento brasileiro se destacou por reunir múltiplas medições em um único dispositivo, incluindo a análise da luz melanópica, que influencia diretamente a produção de melatonina, hormônio ligado ao sono. Essa característica permite uma avaliação mais precisa do comportamento biológico em ambientes artificiais.
Os dados coletados durante a missão serão analisados e comparados com testes realizados antes e depois do voo. A intenção é aprimorar o planejamento de futuras missões, especialmente as de longa duração, como as previstas para os próximos anos no programa Artemis.
A tecnologia teve origem em pesquisas acadêmicas no Brasil e contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Ao longo dos anos, evoluiu até se tornar um produto utilizado por instituições de pesquisa em diversos países.
A participação na missão marca um avanço significativo para a ciência nacional e reforça a presença do Brasil em projetos internacionais de alta complexidade. A expectativa é que a parceria com a NASA continue nas próximas etapas da exploração lunar, incluindo missões previstas para o final da década.







