Trump diz que EUA devem administrar a Venezuela e explorar petróleo

Presidente afirma que controle pode durar anos e fala em “reconstrução lucrativa”

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Donald Trump durante evento com republicanos, em janeiro de 2026 — Foto: NICOLE COMBEAU/POOL/EPA/Shutterstock
Donald Trump durante evento com republicanos, em janeiro de 2026 — Foto: NICOLE COMBEAU/POOL/EPA/Shutterstock

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington deve seguir “administrando” a Venezuela e explorando as reservas de petróleo do país latino-americano por um período indeterminado. A declaração foi dada em entrevista ao The New York Times, publicada nesta quinta-feira, ao comentar a atuação do governo interino venezuelano chefiado por Delcy Rodríguez.

Segundo Trump, o atual arranjo atende aos interesses norte-americanos. “Por enquanto, o governo interino está nos dando tudo o que consideramos necessário”, disse. Questionado sobre quanto tempo a ingerência pode durar, respondeu: “Só o tempo vai dizer”.

Declarações envolvem petróleo e relação com Caracas

Na entrevista, Trump afirmou que pretende usar o petróleo venezuelano como parte de um plano de recuperação econômica. “Vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo, importar petróleo, baixar os preços e dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso”, declarou.

Ao ser questionado sobre a opção por apoiar Delcy Rodríguez, ligada ao governo de Nicolás Maduro, em vez de incentivar a oposição a assumir o poder, o presidente dos EUA preferiu não responder.

EUA anunciam saída de dezenas de organismos internacionais

As declarações sobre a Venezuela ocorrem no mesmo contexto em que a Casa Branca anunciou a retirada dos Estados Unidos de dezenas de organizações internacionais. Segundo comunicado oficial, Washington deixou 35 entidades que não integram a ONU e 31 organismos vinculados às Nações Unidas, sob a justificativa de que “operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA”.

Entre os órgãos citados estão a ONU Mulheres, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

O governo Trump já havia suspendido anteriormente o apoio a organismos como a Organização Mundial da Saúde, o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a UNESCO. A Casa Branca afirma que adotará uma postura seletiva quanto ao financiamento e à participação em iniciativas multilaterais.

Mudança na política externa dos EUA

Analistas avaliam que a postura representa uma guinada na política externa americana. Para Daniel Forti, do International Crisis Group, a abordagem sinaliza uma cooperação internacional condicionada aos termos de Washington, forçando reestruturações internas na ONU e o encerramento de projetos ligados a ajuda externa, inclusive os financiados pela USAID, cuja atuação foi drasticamente reduzida.

Trump já havia adotado estratégia semelhante em seu primeiro mandato, quando retirou os EUA de fóruns multilaterais e anunciou a saída da OMS durante a pandemia de Covid-19.

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