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Crônicas

Uma tarde nostálgica

O almoço dominical na casa do vovô Joel Campos é sempre uma festa. Toda a nossa numerosa família se reúne. Sadia, ansiada confraternização.

Hoje (04.08.2019), porém, além das anfititãs Amália, Mirista e Alice, nossas tias, apenas o casal Gérson e Camila (minha nora, está grávida do meu terceiro neto), Último e eu marcamos presença.

Após, como de costume, fomos papear na sala de estar. Foi, então, quando o meu aludido filho ligou o “home theater” da TV e, através do “bluetooth”, do seu celular, acionou o “Spotify”, aplicativo de músicas. Só sucesso das antigas…

Ouvimos Carmem Miranda, Noel Rosa, Ângela Maria, Orlando Silva, Dalva de Oliveira e outros tantos…

Em dado momento, a tia Amália e a Mãe Ice se recolheram para fazer a sesta. Ao final, somente eu e a tia Mirista ficamos a curtir as melodias.

A cada canção, a tia Mirista, 92 anos, mesmo com sintomas de Alzheimer, lembrava episódios da sua juventude.

Na adolescência, juntamente com a prima Carolina Tapety, formou uma dupla que se apresentava nos famosos dramas dirigidos por Dona Julinha Nunes, professora.

No Oeiras Club, era sempre convidada a bailar. Mas corria léguas do amigo Antônio Carvalho, proprietário da “Casa da Sinceridade”, que não sabia dançar.

Ao ser executada “Rosa Maria”, na voz de Calos Galhardo, recordou que Joanita Barbosa, bela morena de olhar enigmático, representou tal personagem num determinado musical. E que o namorado da aludida “artista”, Miguel Reis, ficou eufórico, transbordado de paixão!…

Nenhuma das canções executadas, ela deixou de cantarolar. Estava muito feliz… Enquanto principiei cochilar, indagou-me: “Meu filho, onde está a vitrola com esses discos?”. Não foi fácil explicar as novidades eletrônicas.

Lamentou ter desaparecido um seu caderno contendo cópias do cancioneiro popular. Caí na besteira de lhe dizer que todas as letras musicais podem ser localizadas no “São” Google.

Não se acanhou de me fazer um pedido. Vai fazer uma relação com os títulos das músicas de sua predileção para que eu possa fazer uma pesquisa… Será se ela, ainda, vai se lembrar desse seu desejo?

Em determinado momento, dirigi-me ao banheiro. Depois, fui merendar, tomar café. Demorei um pouco.

Ao retornar, na sequência digital, ouvia-se “Ave Maria no Morro”, interpretada por Elizeth Cardoso. Sentei-me no sofá. Percebi que tia Mirista chorava de mansinho. Segurei a sua mão direita.

Emocionada, recordou que aquela peça foi a última música cantada por tio Gerson Campos, na véspera de sua morte ocorrida na tarde do dia 11.02.1973, no Estádio Municipal do Leme, que hoje leva o seu nome.

Naquela data, o seu coração explodiu de alegria ao ver o Selecionado de Oeiras, ganhar um jogo de futebol, 2 X 1, contra o time de Floriano, de virada, nos minutos finais da partida. Fim de um triste e inesquecível domingo!

Antanho, nos eventos dançantes havia um intervalo. No sábado, aconteceu uma animada comemoração no Recreanda Club.

Quando foi reiniciada a festa, o tio Gerson, de forma inesperada, subiu no palco. Com seu vozeirão conhecido, passou a entoar: “Barracão de zinco / Sem telhado, sem pintura / Lá no morro / Barracão é bangalô…” Deixou a todos em êxtase!

— Ele estava se despedindo e a gente não queria acreditar, ressaltou a saudosa irmã!

 

 

 

 

Por Carlos Rubem

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