Venezuela envia petroleiros à China sob escolta militar

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Donald Trump e Nicolás Maduro. — Foto: Christopher Furlong / POOL / AFP e Pedro Rances Mattey / AFP
Donald Trump e Nicolás Maduro. — Foto: Christopher Furlong / POOL / AFP e Pedro Rances Mattey / AFP

A Venezuela autorizou, nesta quinta-feira, 18 de dezembro de 2025, a saída de dois petroleiros de grande porte com destino à China, sob escolta militar, ampliando a tensão diplomática e naval com os Estados Unidos. A decisão ocorre após o anúncio de bloqueio total a navios sancionados feito pelo presidente norte-americano Donald Trump. As informações são da agência Reuters.

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, os dois petroleiros serão o segundo e o terceiro navios desse tipo a deixar o país desde a apreensão, na semana passada, de uma embarcação carregada com petróleo venezuelano. A autorização foi concedida um dia após o presidente Nicolás Maduro determinar que todos os petroleiros do país passem a contar com proteção militar durante a navegação.

A medida é vista como resposta direta à decisão do governo dos Estados Unidos, anunciada na terça-feira, 16 de dezembro, de bloquear completamente a circulação de petroleiros envolvidos no transporte de petróleo venezuelano sob sanções. Especialistas avaliam que a ampliação da presença militar no mar eleva o risco de incidentes e possíveis confrontos com a Marinha norte-americana, diante do aumento do tráfego de navios de guerra na região.

Ainda de acordo com as informações, algumas embarcações que já tinham como destino países da Ásia e não constam em listas de sanções internacionais começaram a receber escolta naval nesta quinta-feira. Os dois petroleiros autorizados a seguir para a China não são alvos de sanções e devem transportar, juntos, pouco menos de quatro milhões de barris de petróleo bruto.

A China se posicionou contra o bloqueio imposto pelos Estados Unidos, classificando a medida como intimidação unilateral. O governo chinês, no entanto, não detalhou quais ações práticas poderá adotar para apoiar a Venezuela. Na quarta-feira, 17 de dezembro, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, conversou por telefone com o chanceler venezuelano Yvan Gil. O comunicado oficial não mencionou os Estados Unidos nem o presidente Trump.

Há anos, a China mantém acordos financeiros com a Venezuela por meio de linhas de crédito atreladas ao fornecimento de petróleo. Atualmente, o país asiático é o maior comprador do petróleo venezuelano, responsável por cerca de 4% de suas importações. Analistas indicam que os embarques de dezembro caminham para uma média superior a 600 mil barris por dia.

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