Ativistas e grupos civis da Tunísia exigem o fechamento de unidades da empresa química GCT, em Gabes, após denúncias de envenenamento e sintomas respiratórios graves entre moradores, especialmente crianças. Os manifestantes atribuem os problemas a vazamentos de gases tóxicos provenientes da planta de fertilizantes, localizada no sul do país.
Desde o início de setembro, dezenas de residentes — entre eles 69 crianças e estudantes — relataram episódios de asfixia e mal-estar. No último domingo, representantes de 25 associações, incluindo a Liga Tunisiana de Direitos Humanos, protocolaram uma petição pedindo “o desmantelamento das unidades poluentes” da GCT.
As manifestações se intensificaram no fim de semana, com centenas de pessoas protestando nas proximidades da fábrica. Vídeos publicados nas redes sociais mostram crianças com dificuldades para respirar em uma escola local. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo, e houve confrontos até a madrugada.
Os ativistas acusam a empresa de despejar resíduos gasosos e sólidos sem tratamento adequado e defendem a adoção de um novo modelo de desenvolvimento regional sustentável. Eles também lembram que, em 2017, o governo havia prometido encerrar gradualmente as operações da planta, compromisso que não foi integralmente cumprido.
O presidente Kais Saied informou ter enviado equipes de emergência dos ministérios de Energia e Meio Ambiente para monitorar a situação. O conselho local de Gabes manifestou apoio aos protestos, qualificando-os como legítimos, mas condenou os atos de vandalismo registrados.
Para as organizações civis, no entanto, as medidas anunciadas são insuficientes. Elas cobram a identificação dos responsáveis e o fechamento efetivo das unidades poluentes. Enquanto isso, moradores continuam bloqueando vias e ampliando as mobilizações em busca de respostas concretas.
Informações: The Newarab








