PF, MPF e CGU deflagram nova fase de operação contra fraudes no Piauí

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Nova etapa da Operação Conectados cumpre mandados em Teresina e Oeiras e aprofunda apuração sobre suposto esquema de direcionamento de licitações e superfaturamento de contratos financiados com recursos públicos.

A Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União realizaram, na manhã desta terça-feira (2), a segunda fase da Operação Conectados no Piauí. A ação resultou no cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de Teresina e Oeiras.

As investigações apuram a atuação de um grupo suspeito de manipular processos licitatórios e elevar indevidamente valores de contratos custeados com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre os locais alvo das diligências está um escritório de contabilidade ligado ao ex-vereador e atual superintendente da SDU Norte, Alan Brandão, em Teresina. Ele afirmou que não é alvo direto da operação e informou que pretende se posicionar oficialmente por meio de nota.

De acordo com o MPF, a nova fase busca interromper a continuidade do esquema investigado desde 2024. O foco agora é identificar empresas que teriam sucedido organizações anteriormente investigadas, além de localizar possíveis sócios ocultos e operadores financeiros envolvidos na movimentação dos recursos.

Os investigadores apontam que uma das empresas sob suspeita acumulou contratos com prefeituras piauienses que ultrapassaram R$ 7,3 milhões em pouco mais de dois anos, valor equivalente a 73 vezes seu capital social. O dado é considerado um dos indícios da dimensão das irregularidades apuradas.

Em outro caso analisado, uma alteração considerada indevida em preços de um pregão eletrônico teria provocado potencial prejuízo de R$ 1,77 milhão aos cofres públicos. Segundo a investigação, alguns contratos apresentaram sobrepreço superior a 200%.

As apurações também indicam que a estrutura investigada teria atuado em diversos municípios do Piauí e alcançado cidades do Maranhão. O grupo é suspeito de operar por meio de contratos de fornecimento de materiais, consultorias especializadas e influência em setores responsáveis por licitações.

Conforme o MPF, o esquema começava com a aproximação de administrações municipais por meio de assessorias contábeis e jurídicas. A partir disso, pessoas ligadas ao grupo assumiriam funções estratégicas em processos licitatórios, obtendo informações antecipadas sobre futuras contratações.

Ainda segundo os investigadores, empresas vinculadas ao esquema teriam sido favorecidas em disputas públicas, enquanto concorrentes eram desclassificados por razões consideradas irrelevantes. Após os pagamentos, os recursos seriam movimentados por meio de saques fracionados para evitar mecanismos de controle financeiro.

As investigações continuam e os órgãos responsáveis trabalham para identificar todos os envolvidos, recuperar eventuais valores desviados e aprofundar a responsabilização dos participantes do suposto esquema.

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